Grau de investimento pela Fitch não altera projeções de corretoras

Para analistas, nova classificação só reforça as estimativas já feitas para o Ibovespa em 2008

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) pode bater os 85.000 pontos em 2008. Essa é a projeção das corretoras, que não alteraram suas estimativas após a concessão do grau de investimento ao Brasil pela agência classificadora de risco Fitch.

A previsão das corretoras para 2008

Corretora Projeção para o Ibovespa em dezembro de 2008 Potencial de alta (%)
Ágora 82.000 28,35
Alpes 85.000 33,05
Banif 82.000 28,35
Elite 80.000 25,22
Itaú 83.200 30,23
Link 78.000 22,09
Máxima 80.000 25,22
Fonte: corretoras  

“A melhora da nota de risco só reforça a percepção de credibilidade do país”, afirma o analista da corretora Alpes, Fausto Gouveia. Apesar da boa notícia, o Ibovespa registrou perdas nos negócios desta quarta-feira (29/5), finalizando o dia em queda de 1,85%, aos 71.797 pontos. O movimento, contrário ao que foi verificado quando a agência Standard & Poor´s elevou o Brasil a grau de investimento, não causou estranheza no mercado. “É o velho ditado: a bolsa sobe no boato e cai no fato”, comenta o analista da corretora Elite, Alexandre Macedo, ressaltando que os rumores sobre a classificação da Fitch já vinham influenciando os negócios desde o início da semana. “O recuo de hoje foi uma realização de lucros após mais de dez recordes de pontos”, diz.

É certo que o otimismo é um ingrediente do mercado acionário brasileiro atualmente – afinal, as estimativas apontam para retornos três vezes maiores que o da renda fixa -, mas já há também uma boa dose de cautela. A inflação, que já atinge diversos países do mundo, preocupa investidores e analistas. Segundo eles, ao mesmo tempo em que o Brasil é beneficiado pelo aumento nos preços das matérias-primas, é prejudicado pela alta dos juros. “É um cenário contraditório, mas se o país souber se posicionar, poderá ser muito positivo”, diz Gouveia. “O segredo é saber em qual setor investir e quando”, afirma.

Somente em 2008, as companhias do setor de siderurgia vêm garantindo aos investidores retornos acima de 50%, graças à disparada nos preços das commodities no mercado internacional. No período, o Ibovespa acumula alta de 12%.