Goldman Sachs recomenda vender ação do Banco Inter e vê preço menor

Avaliação veio na mesma semana em que a Fitch elevou a nota de crédito do banco mineiro

Um sólido crescimento, mas com muitos riscos à frente. Foi com essa avaliação que o Goldman Sachs iniciou a cobertura das ações do Banco Inter (BIDI4) esta semana. A equipe do banco recomendou a venda dos papéis ao fixar o preço alvo de 11 reais pelo ativo – o que corresponde a uma queda de 28,5% em relação ao valor da última sexta-feira (12).  Em 2019, a ação acumula valorização de 122%.

Enquanto isso, o banco avalia outros pares do setor com uma redução no preço-alvo da ordem de 1%. Segundo os analistas Tito Labarta, Jonathan Uriel Schajnovetz e Ashok Sivamohan, o Inter incrementou sua base de clientes para 3,2 milhões e teve uma forte captação na última oferta de ações, de 1,2 bilhão de reais, mas faltam bases para justificar o preço atual da ação.

“Enquanto estamos otimistas com a projeção de crescimento do banco, consideramos que o desafio será efetivamente rentabilizar sua base de clientes para justificar o atual valor das ações”, concluíram os analistas em relatório a clientes.

Ação cara demais?

O Goldman ressaltou que a estimativa para o banco digital em 2020 é de um múltiplo (relação entre o preço da ação e o lucro) de 66 vezes. Mesmo ajustando a um sólido crescimento esperado para daqui a cinco anos, a ação ainda vai operar com um prêmio em relação a outros pares do setor bancário, concluiu o banco.

O Inter viu suas ações caírem mais de 6% após divulgar um lucro de 11,82 milhões de reais no terceiro trimestre – resultado 38% inferior ao mesmo período do ano passado, com investidores também preocupados com a capacidade do banco de monetizar sua crescente base de clientes. Nesta terça-feira, a ação recuava 6,32%, negociada em 14,10 reais, por volta das 17h.

Nota de crédito elevada

Após divulgar seus resultados no terceiro trimestre e lançar o próprio superapp, o Inter teve sua nota de crédito elevada pela agência de avaliação de risco Fitch na segunda-feira (11). O rating do banco subiu de ‘BBB+(bra)’ para ‘A-(bra)’, com perspectiva estável. Segundo a agência, o resultado reflete a estratégia do em expandir sua franquia e o modelo de negócios.

A agência citou como justificativa para a decisão uma maior diversificação de ofertas de produtos, ampla posição de liquidez, independência na distribuição dos produtos de captação e sólidos índices de capitalização. A Fitch destaca ainda o forte crescimento dos depósitos à vista nos últimos anos — aumento de 213% em relação a setembro de 2018 —, o que tem contribuído não só́ para a redução dos custos de captação, mas também para o incremento das receitas de floating. Além da Fitch, a S&P também classifica o banco como AA- desde julho de 2018.