Frigoríficos citados por Delcídio desabam até 9% na Bolsa

STF homologa delação premiada do senador, que menciona JBS, Marfrig e Bertin em esquema de obtenção de crédito junto ao BNDES

São Paulo – As ações dos frigoríficos JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) fecharam em queda nesta terça-feira (15), colaborando com a baixa de 3,56% do Ibovespa na sessão.

Os papéis da JBS cederam 7,91%, para R$ 10,83 cada um. Durante o dia, eles chegaram a cair até 8,2%. Já a Marfrig terminou o pregão com desvalorização de 4,04%, a R$ 6,41, após ter registrado baixa de até 9,1% mais cedo.

Os tombos ocorreram depois que o STF (Superior Tribunal Federal) homologou a delação premiada do senador Delcídio do Amaral em que as companhias são citadas em um esquema de liberação de crédito do BNDES.

Segundo o senador, um dos intermediadores para que o banco de fomento liberasse crédito para as empresas JBS, Marfrig e Bertin teria sido José Carlos Bumlai.

Em nota, a Marfrig disse que “José Carlos Bumlai jamais intermediou qualquer operação financeira entre o BNDES e a companhia” e que “o único relacionamento existente entre a Marfrig e o Sr. José Carlos Bumlai foi, no passado, de fornecimento de gado para a empresa”.

A Marfrig disse ainda que o fornecimento de gado à empresa de Bumlai foi encerrado em 2006, “não havendo, desde então, qualquer transação ou relacionamento de qualquer tipo com o Sr. José Carlos Bumlai”, segundo a nota.

A JBS afirmou em nota que “o pecuarista [José Carlos Bumlai] nunca a representou, prestou serviços ou intermediou, de forma direta ou indireta, nenhuma operação junto ao BNDES, outras instituições financeiras ou qualquer órgão do setor público ou privado”.

Segundo a empresa, “Bumlai consta no cadastro da JBS como fornecedor de gado, assim como outros mais de 70 mil pecuaristas, não tendo assim nenhuma relação adicional além dessa”. 

O braço de participações do BNDES —BNDESpar— é acionista de JBS e Marfrig. O banco de fomento também foi acionista do grupo Bertin, incorporado pela JBS em 2009.