Fluxo cambial piora e país tem maior saída de dólar desde junho

O câmbio contratado teve saldo líquido negativo de 5,406 bilhões de dólares entre os dias 9 e 13 de dezembro; número é o pior desde junho passado

São Paulo — As saídas de dólares do Brasil se intensificaram na semana passada, quando o país sofreu a maior debandada de moeda estrangeira desde junho, mostraram dados do Banco Central nesta quarta-feira (18).

O câmbio contratado teve saldo líquido negativo de 5,406 bilhões de dólares entre os dias 9 e 13 de dezembro, depois de déficit de 2,834 bilhões de dólares na semana anterior (entre 2 e 6 de dezembro) e de um rombo de 4,531 bilhões de dólares entre os dias 25 e 29 de novembro.

O número da semana passada é o pior desde o fluxo negativo de 8,629 bilhões de dólares registrado entre 24 e 28 de junho passado.

O saldo foi puxado pela conta financeira, que registrou saída líquida de 10,481 bilhões de dólares na semana passada, piorando expressivamente em relação ao déficit de 2,664 bilhões de dólares da semana anterior.

As operações comerciais, por outro lado, tiveram superávit de 5,075 bilhões de dólares, contra resultado negativo de 171 milhões de uma semana antes.

No acumulado das duas primeiras semanas de dezembro, o fluxo cambial ao Brasil está negativo em 8,241 bilhões de dólares, composto por saída de 13,145 bilhões de dólares na conta financeira e por entrada líquida de 4,904 bilhões do lado comercial. No mesmo período de dezembro de 2018, o fluxo estava negativo em 3,481 bilhões de dólares.

Considerando o ano de 2019, o déficit alcança 35,397 bilhões de dólares, ante resultado positivo de 8,280 bilhões de dólares no mesmo intervalo de 2018.

Intervenções

Nas duas primeiras semanas de dezembro, o BC liquidou a venda de 6,120 bilhões de dólares à vista, sendo 2,5 bilhões de dólares na semana passada.

No acumulado de 2019, a venda nesse segmento soma 33,396 bilhões de dólares, quase o mesmo montante de saída líquida no fluxo cambial contratado.

Entre 9 e 13 de dezembro, o BC não liquidou operações de linhas de dólares com compromisso de recompra.