Festa da PDG na bolsa pode ser curta, alertam analistas

Valorização recente dos papéis deixa o Ibovespa e o índice setorial comendo poeira

São Paulo – O entusiasmo recente do mercado com as ações da PDG (PDGR3) já resultou numa expressiva alta de 13% às ações da companhia desde a última segunda-feira.

Considerando o mesmo período, o desempenho deixa o Ibovespa (-2,4%) e o IMOB (+2,2%), índice que mede o desempenho de empresas do setor imobiliário na bolsa, comendo poeira na bolsa. Hoje, a valorização dos papéis chegava a 6,8% na máxima do dia, com papéis negociados a 4,09 reais.

A construtora e incorporadora anunciou a conclusão da capitalização de 796 milhões de reais por meio da emissão de 199 milhões de bônus de subscrição, com pouco mais de 60% deles ficando com a gestora de recursos Vinci Partners.

Além disso, a companhia revelou também que está de cara nova, anunciando Carlos Piani, que era corresponsável pela área de private equity da Vinci, como novo presidente-executivo. Seu antecessor, Zeca Grabowsky, segue como membro do Conselho de Administração.

Festa curta

Em meio a todas estas novidades, alguns analistas começam a ficar incomodados com a animação possivelmente exagerada dos investidores. Um relatório de hoje do Bank of American Merrill Lynch continua alertando para uma recuperação modesta das margens da PDG e avisa que não há expectativa de novos fatores positivos de curto para o desempenho das ações da companhia.

“Além disso, considerando a atual capitalização, os acionistas da PDG ainda estão sujeitos a uma maior diluição futuramente, caso as debêntures emitidas como resultado da proposta Vinci sejam convertidas em ações”, alerta o analista Fanny Oreng. Ele reitera sua recomendação classificada desempenho abaixo da média de mercado (underperform). Na avaliação da corretora Planner a capitalização é positiva, mas a empresa continua enfrentando desafios. “Não acreditamos na continuidade da alta dos papéis”, diz o relatório.

O que ainda falta melhorar

Mesmo considerando positivas as recentes notícias, a equipe de análise do Credit Suisse também destaca sua preocupação com a alavancagem da PDG. “Um dos principais desafios da nova gestão nos próximos dois trimestres será não revisar e nem estourar seu orçamento”, ressaltam os analistas. A recomendação é classificada em neutra.


Já o analista de construção civil da Itaú Corretora, David Lawant, acredita que a entrada da Vinci Partners é um marco no processo de reestruturação da PDG e que vai fortalecer o comando da empresa, recobrando a confiança do mercado. No entanto, ele avisa: “A empresa ainda tem um longo caminho pela frente até recuperar sua lucratividade”.

A Itaú Corretora manteve sua recomendação der desempenho acima da média de mercado (outperform), com preço justo de R$ 4,80 por ação para o final de 2013. Para o Citi, a chave para a recupeção da companhia na bolsa está na adequação do perfil operacional, melhorando a rentabilidade e o fluxo de caixa. “Enquanto essas medidas levam tempo, o aumento de capital imediato deve aliviar as preocupações”, diz Dan McGoey.

Números recentes

A construtora e incorporadora PDG registrou vendas líquidas contratadas no valor de 3,04 bilhões de reais no primeiro semestre deste ano, 14% a menos do que no mesmo período do ano passado, informou nesta terça-feira a companhia.

Em comunicado, a PDG acrescentou que no segundo trimestre do ano as vendas ficaram em 1,2 bilhão de reais, das quais 1,142 bilhão de reais respondem a períodos anteriores e 99 milhões de reais são lançamentos efetuados no próprio segundo trimestre.

O grupo rebaixou, além disso, as projeções anuais ”de forma cautelosa” e fez uma previsão de lançamentos para o ano entre 4 e 5 bilhões de reais, frente a uma previsão inicial que oscilava entre 8 e 9 bilhões de reais. Em 2012, as ações ordinárias da PDG registram queda de 30% na BM&FBovespa.