Fator recomenda ações de educação

Para corretora, papéis apresentam potencial de valorização de até 72% em 2008

A baixa qualidade do ensino no Brasil e a crescente demanda por profissionais qualificados tornaram a educação um dos setores mais promissores para investimentos no país, segundo estudo da corretora Fator.  Neste cenário, as novatas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) Kroton, Estácio, SEB e Anhanguera devem se destacar, já que poderão utilizar os recursos captados com seus IPOs (sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) em projetos de expansão e, assim, liderar o processo de consolidação pelo qual o setor deve passar nos próximos meses.</p>

Em relatório, a Fator recomenda a compra de três papéis: Estácio (ESTC11), Kroton (KROT11) e SEB (SEBB11). Veja abaixo as projeções para cada um deles. A Anhanguera (AEDU11) não faz parte da cobertura da corretora.

Ação Cotação em 12/05/08 Preço-alvo (R$)* Variação no mês (%) Variação no ano (%) Potencial de alta em 2008 (%)
Estácio 19,60 22,73 41,01 30,55 15,97
Kroton 32,79 47,09 14,65 17,11 43,61
SEB 23,75 40,81 4,63 -5,00 71,83
Anhanguera 31,00  — 11,91 -18,42  —
Ibovespa** 70.415 75.000 3,75 10,22 6,51
*Previsão da corretora Fator     
** Em pontos     
Fonte: Bovespa e Fator

 

Com um extenso portfólio de cursos e a estratégia de instalar unidades próximo ao seu público-alvo, a Estácio, na avaliação da Fator, deve crescer por meio de aquisições e abertura de novos campus. Nesta segunda-feira (12/5), a instituição, que é a maior organização privada de ensino no Brasil, se associou ao GP Investimentos, maior fundo de private equity do país, com o objetivo de promover melhorias em sua gestão e, assim, potencializar resultados. Por 20% de participação na Estácio, o GP pagará 259,3 milhões de reais, e compartilhará o controle da instituição com João Uchôa Cavalcanti Netto. A filosofia do fundo é investir em empresas com forte potencial de crescimento, incrementar os negócios e deixar a companhia embolsando um bom lucro. Na Gafisa, por exemplo, o fundo investiu 78 milhões de dólares, que ao término de uma década se transformaram em 500 milhões de dólares.

A Kroton, por sua vez, conta com a vantagem de já ter experiência em aquisições. Desde o IPO, em julho do ano passado, nove negócios foram fechados. Com isso, a empresa ganha tempo na abertura de novos cursos, uma vez que as instituições adquiridas já passaram pelo processo de credenciamento junto ao Ministério da Educação. Além disso, a Kroton, que atua tanto no ensino superior como na educação básica, adota um modelo de negócio replicável e padronizado que lhe permite firmar parcerias com escolas de todo o país.

Já o SEB apresenta um perfil diferente das concorrentes. A empresa, que começou como um curso preparatório para o vestibular, transformou-se em uma prestadora de serviços de educação. São oferecidos cursos presenciais e à distância, da pré-escola ao ensino superior, e comercializados sistemas de ensino para escolas públicas e privadas. Com essa estratégia de atuação, a instituição dilui seu risco e aproveita o potencial de crescimento de diversos segmentos.

Investimentos

A má qualidade do ensino nas escolas pública praticamente inviabiliza o acesso da população de menor poder aquisitivo às poucas e disputadas vagas nas universidades estaduais e federais. Como essa situação não deve se alterar no curto prazo, a Fator estima a continuidade dos programas de incentivo promovidos pelo governo (ProUni e Fies), que garantem às instituições privadas milhares de novos alunos todos os anos, além de isenções fiscais.

Os recursos estrangeiros, na opinião de Celso Grisi, diretor da Fundação Instituto de Administração (FIA) e professor da Universidade de São Paulo (USP), também não devem faltar. Com o grau de investimento, concedido ao Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s no último dia 30 de abril, há a expectativa de que mais investidores estrangeiros apliquem no país. E a educação, de acordo com Grisi, deve ser um dos setores mais assediados por fundos de private equity e empresas internacionais. “Temos um potencial de mercado enorme e nenhuma barreira à participação de capital de outros países”, diz.

No Congresso Nacional, tramita um projeto de lei que limita a 30% o investimento de estrangeiros em instituições de ensino brasileiras. O texto, no entanto, aguarda aprovação desde 2006, e ainda não há previsão de quando será avaliado.