Fantasma da concorrência ainda assombra ações da Redecard, diz Planner

Corretora reiniciou a cobertura dos papéis com recomendação de manter

São Paulo – A equipe de pesquisa da Planner reiniciou nesta terça-feira a cobertura das ações da empresa de meios de pagamento eletrônicos Redecard (RDCD3) com recomendação de manter, considerando a nova realidade do mercado de cartões, que passou a ser mais competitivo desde o fim da exclusividade de bandeiras em julho de 2010.

Em relatório, o analista Francisco Kops atribuiu o preço-alvo de 29,40 reais para as ações ordinárias da companhia até dezembro de 2011. O novo valor representa um potencial de ganho de 15,56% frente à cotação de 25,44 reais vista no fechamento do último pregão.

Em sua análise, Kops levou em conta não apenas o fato de que os papéis da Redecard registram forte valorização no ano (+29,60%), mas também os riscos existentes que podem afetar as margens da companhia. Na visão do analista, no geral, são boas as perspectivas para o setor de cartões brasileiro, com expectativa de crescimento no uso de cartões de crédito e débito em detrimento aos meios de pagamento mais tradicionais como dinheiro e cheque.

Concorrência

Kops avaliou o fim da exclusividade entre credenciadoras e bandeiras, o que abriu espaço para a competição no setor. De acordo com a Planner, “a primeira fase desta competição já passou, com uma guerra entre Redecard e Cielo por participação de mercado que resultou em uma forte queda nas margens da Redecard”.


“No entanto, nos últimos dois trimestres, esta disputa atenuou e as margens (da companhia) se estabilizaram”, avaliou Kops. Ele prevê agora uma nova fase no setor, com a entrada de novos competidores, incluindo: Elavon, Global Payment e Santander/Getnet (este último já atuante no mercado).

O analista da Planner teme que a chegada destas novas companhias possa derrubar novamente as margens da Redecard. Para piorar, ele ainda vê riscos na tecnologia utilizada pela empresa. “Acreditamos que há riscos de companhias de telecomunicações começarem a oferecer produtos e soluções similares”, destacou.

Kops também chamou a atenção para a concorrência que a empresa sofre dos grandes bancos, inclusive do seu controlador Itaú Unibanco, no negócio de antecipação de recebíveis (RAV). “Vemos esta concorrência se intensificando por causa da necessidade dos grandes bancos em cada vez mais expandir suas carteiras de crédito”, alertou.

O analista considerou “pouco atrativo” o potencial de valorização dos papéis da companhia (+15,56%), o que justifica a recomendação de manter.