Exterior reduz efeito da crise política, mas não impede queda do Ibovespa

Índice da bolsa paulista recuou 0,43% nesta segunda-feira (17), aos 97.623 pontos.

Na esteira de mais um capítulo da crise política, o índice que reúne as maiores ações da bolsa iniciou a semana em baixa. Ao longo do dia, o Ibovespa até chegou a subir, de carona no bom humor do mercado externo, mas virou e ampliou a queda no final da sessão, recuando 0,43% nesta segunda-feira (17), aos 97.623 pontos.

Já o dólar fechou quase estável ante o real, em dia de poucas variações, com investidores preferindo a cautela em semana de decisão sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos. A moeda subiu 0,03%, a R$ 3,9005.

Os investidores monitoraram  desdobramentos da saída do presidente do BNDES, Joaquim Levy, no domingo, um dia após ter sido fortemente criticado pelo presidente Jair Bolsonaro, criando uma nova frente de tensão entre as alas técnica e ideológica do governo.

Para Felipe Berenguer, analista político da Levante, a demissão teve uma repercussão negativa, mas não deve gerar uma grande crise. “Desde que o governo mantenha as diretrizes para o banco e traga um nome de peso para substituir o economista de saída, o efeito negativo deve ser neutralizado ainda no curto prazo”, escreveu em relatório.

Berenguer acrescentou que o mercado deve ficar atento a uma eventual ingerência política de Bolsonaro. “É a primeira demissão no ministério da Economia e, apesar de Guedes ter endossado o presidente, os motivos parecem muito mais ideológicos do que propriamente da gestão”.  

A atenção dos mercados continuou voltada para os desdobramentos na tramitação da reforma da Previdência. Nesta manhã, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse esperar que a proposta de reforma seja aprovada na comissão especial no dia 26 de junho.

Apostas em corte de juros animam mercados

O Ibovespa subiu no fim da manhã, amparado pelas crescentes apostas de que autoridades monetárias poderão indicar nesta semana uma abertura para cortes nas taxas de juros ainda este ano. A semana será recheada de reuniões dos bancos centrais dos Estados Unidos, Japão, Inglaterra e também no Brasil.

Por aqui, cresceu a expectativa de corte da Selic, reforçada com a pesquisa Focus, mostrando uma previsão menor de crescimento do PIB pela 16ª semana seguida, abaixo de 1% para 2019. A pesquisa também mostrou que a estimativa para a Selic no fim do ano é de 5,75%, ante os atuais 6,5%.

“O cenário é propício para (a B3) tentar manter alta”, afirmou em relatório o economista-Chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira.

No plano corporativo, os investidores também acompanham a situação do grupo de construção Odebrecht, que pode pedir recuperação judicial nesta segunda.

Destaques do dia

A ação da PETROBRAS teve leve alta, após a estatal anunciar que prevê realizar ainda em 2019 um teste de longa duração em uma das áreas com potencial para produção de gás natural descobertas em águas profundas na bacia de Sergipe, a maior da empresa desde o pré-sal, em 2006.

A mineradora VALE recuou mais de 2%, na esteira dos futuros do minério de ferro na China, que caíram com o mercado focando nas perspectivas de maiores embarques do Brasil. A mineradora afirmou na semana passada que espera retomar em breve sua mina de Brucutu (MG), com capacidade anual de 20 milhões de toneladas.

Os papéis da rede de móveis e eletrodomésticos VIA VAREJO avançaram acima de 2%. A família Klein retomou na sexta-feira o controle da companhia com a compra em leilão na B3 de participação adicional equivalente a 1,6% da empresa.

A resseguradora IRB BRASIl subiu em torno de 3%, recuperando-se da queda de sexta-feira, quando a notícia de que o governo federal e a BB Seguros planejavam vender suas fatias na resseguradora até julho por meio de uma oferta de ações pesou nos papéis.