EUA: temporada dos dentes cerrados

Meio cheio ou meio vazio? Os bancos americanos não estão em sua melhor fase, mas poderiam estar muito pior. Ontem, o segundo maior banco dos Estados Unidos, o Bank of America (BofA), apresentou um lucro de 4,23 bilhões de dólares no segundo trimestre. O resultado foi 17,5% menor do que o do mesmo período do ano passado. Ainda assim, as ações subiram 3,3%. O mesmo aconteceu, na semana passada, com os bancos Citi e JP Morgan, que tiveram alta nas ações mesmo com lucros mais baixos.

Os resultados dos bancos vêm sendo pressionados principalmente pela baixa taxa de juros no país. Havia um temor de analistas de que a saída do Reino Unido da União Europeia prejudicasse ainda mais as coisas, mas os bancos estão conseguindo compensar parte das perdas com avanços em operações de câmbio e commodities.

A situação das instituições é um reflexo da economia do país. Não há motivos para fogos, mas os resultados surpreendentes se acumulam na economia. Há duas semanas, o número de empregos criados no país em junho (foram 287.000, ante estimativas de 180.000) levou os principais índices de ações nos Estados Unidos a novos patamares históricos.

Esta semana, quando mais de 90 companhias americanas publicam seus balanços, será uma prova de fogo entre o mundo das expectativas e o mundo real. Na lista de divulgações estão gigantes como a montadora General Motors e a companhia de serviços financeiros American Express. Especialistas consultados pela Thomson Reuters estimam que o lucro das 500 maiores empresas americanas, que constituem o índice S&P 500, deve cair em torno de 4,7% neste segundo trimestre. Qualquer número melhor que esse deve fazer as ações subirem ainda mais.