Eternit pede recuperação judicial e cai na Bolsa

A fabricante de materiais de construção justificou a decisão alegando a "deterioração dos fundamentos da economia" e as "discussões acerca do amianto"

São Paulo — As ações da Eternit  caem nesta terça-feira na Bolsa, após a empresa entrar com pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Os negócios com os papéis foram suspensos por uma hora, enquanto a B3 aguardava o envio dos documentos relativos ao pedido. Às 13h, as ações recuavam 10,1%, a 0,89 real.

Em fato relevante, a fabricante de materiais de construção justificou a decisão alegando “a persistente deterioração dos fundamentos da economia” e as “discussões legais acerca da extração, industrialização, utilização, comercialização, transporte e exportação” do amianto, que era matéria-prima na produção de telhas e caixas-d’água.

O valor total da dívida é 228,9 milhões de reais, conforme o documento disponível no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “O Grupo Eternit está confiante de que a situação de crise ora enfrentada é passageira e não deve afetar de forma definitiva suas atividades.”

Proibição do amianto

Em novembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a extração, a industrialização e a comercialização de amianto crisotila no país. O produto, acusado de causar diversas doenças e até de ser cancerígeno, já era proibido em mais de 60 países.

Um dia antes, a empresa já havia anunciado o objetivo de substituir o amianto totalmente até o fim deste ano. Para isso, a Eternit colocou sua fábrica de polipropileno — substância alternativa ao amianto — em Manaus para operar a 100%.

Após a decisão do STF, a empresa anunciou a paralisação das suas controladas SAMA (mineradora) e Precon Goiás (fabricante de telhas de fibrocimento). Em dezembro, a Eternit informou que retomaria as atividades enquanto aguardava a publicação do acórdão da decisão do Supremo.

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