Estrangeiros voltam cautelosamente ao mercado brasileiro

Investidores agora estão buscando cautelosamente oportunidades de compra em um mercado que pode ter se tornado novamente barato o suficiente

São Paulo/Rio de Janeiro – Após apostar durante a maior parte do ano que as ações brasileiras continuariam a afundar, alguns investidores agora estão buscando cautelosamente oportunidades de compra em um mercado que pode ter se tornado novamente barato o suficiente.

Contudo, o movimento ainda carece de convicção. Por enquanto, analistas recomendam que investidores cacem barganhas ou escolham criteriosamente ações de companhias que possam se beneficiar de uma esperada recuperação em mercados emergentes.

Participantes do mercado têm motivos para se manter céticos a respeito do Brasil, mercado cuja performance neste ano seguiu a de algumas nações desenvolvidas que ainda lutam contra os efeitos da crise financeira de 2008. A crescente intervenção do Estado na economia, sinais de que o modelo de crescimento do país está esgotado e a incerteza política mantiveram muitos investidores de braços cruzados.

O principal índice da bolsa paulista, o Ibovespa, opera atualmente ao redor de 56 mil pontos, mais de 20 por cento abaixo dos 73 mil pontos atingidos em setembro de 2010. O índice acumula desvalorização de quase 10 por cento no ano, apesar de um rali de 25 por cento desde julho ter conferido à bolsa uma tendência altista.

“Alguns preços são encorajadores, mas você não sente que participantes do mercado estão muito convictos”, afirmou Paulo Bylik, que gerencia 9,5 bilhões de reais em ativos para a Rio Bravo Investimentos, em São Paulo. “Estamos longe do consenso de que o Brasil é uma opção de ‘compra’ no momento”.

Desde o início do ano, investidores estrangeiros entraram com 11 bilhões de reais na Bovespa, e a natureza desse fluxo mostra uma melhora experimental no sentimento do mercado em relação ao Brasil.

Durante o primeiro semestre, investidores ficaram fortemente vendidos na bolsa, esperando novas quedas nos preços de ações.

Agora, porém, dados da BM&FBovespa mostram que investidores estão se tornando mais otimistas sobre as perspectivas para o Brasil, com posições compradas em futuros de índice superando as vendidas por uma estreita margem.


Contudo, segundo a Credit Suisse Securities, os fluxos recentes são atribuíveis em grande parte a “exchange traded funds” (fundos de investimentos com cotas negociadas em bolsa) –como parte de uma estratégia usada com frequência por investidores institucionais com a intenção de aumentar sua exposição ao país sem apostar agressivamente em ações específicas.

Pouca Convicção

Bylik, da Rio Bravo Investimentos, prevê que investidores focados no longo prazo, como fundações anticíclicas, devem entrar no mercado conforme ele se torna mais atraente. “Mas ainda existe o problema com a confiança”, acrescentou.

Até o momento, poucos investidores têm traçado um cenário positivo para o Brasil, mesmo com a maioria deles possuindo ativos brasileiros acima da média, segundo o estrategista Ben Laidler, da HSBC Securities.

“É consenso ter posições ‘overweight’ (acima da média) no mercado brasileiro, mas a convicção dos investidores é baixa.

Elas são principalmente o resultado de posições ‘underweight’ (abaixo da média) em mercados emergentes como a China, Taiwan e Coreia do Sul”, disse Laidler.

Mesmo assim, a confiança do mercado está melhorando, disse Marcos Paolozzi, que ajuda a gerenciar 6,5 bilhões em ativos para a Fator Administradora de Recursos, em São Paulo. Segundo ele, declarações políticas recentes que estão aumentando a credibilidade e uma estabilização na tendência de estimativas de resultados corporativos estão atuando como “catalisadores de que investidores precisavam antes de apostar novamente no Brasil”.

Para alguns investidores estrangeiros, voltar ao Brasil levou tempo pois as perdas dos últimos anos os pegou de surpresa, disse Paolozzi. Ainda assim, alguns reconhecem o enorme potencial de alta que o mercado possui, afirmou.