A disputa da B3 pelos IPOs de empresas de tecnologia

Mais uma empresa brasileira, o grupo de educação Afya, abriu capital nos EUA, reforçando as dúvidas sobre a atratividade do mercado de capitais brasileiro

Após uma semana andando de lado, a bolsa brasileira voltou a subir nesta quinta-feira, renovando o ânimo dos investidores para os próximos dias, que serão marcados pelo recesso parlamentar. O Ibovespa, neste contexto, vai depender de boas notícias externas. Ontem, o otimismo foi retomado com novas sinalização de que o Fed, o banco central americano, vai cortar os juros já em sua próxima reunião, marcada para 30 e 31 de julho.

Para o médio prazo, a previsão segue sendo de avanços no Ibovespa até o fim do ano — as principais gestoras preveem que o índice avance até 115.000 ou até 125.000 em dezembro. Uma das grandes dúvidas em aberto é qual o impacto nas aberturas de capital e follow-ons previstas para o país.

A quinta-feira teve dois movimentos que reforçam uma tendência. O Banco do Brasil e a União venderam suas participações na resseguradora IRB Brasil Re, numa oferta que movimentou 7,5 bilhões de reais, na maior operação do tipo desde 2015. É mais um indício de que empresas tradicionais e consolidadas devem ir com mais afinco ao mercado no segundo semestre.

Mas as novas e com pegada tecnológica embarcarão na tendência? Ou seguirão preferindo a bolsa americana? Também ontem, o grupo de educação Afya, focado na área da saúde, levantou estimado 300 milhões de dólares em sua abertura de capital na Nasdaq, a bolsa americana de tecnologia.

A Afya, desconhecida do grande público, foi concebida pelo atual ministro da Fazenda, Paulo Guedes, e reforça o desejo de investidores internacionais por ativos ligados a tecnologia em mercados em expansão — a Afya afirma ter forte presença tecnológica.

A Afya segue o caminho da Arco Educação e de duas empresas de pagamentos, PagSeguro e Stone, que também abriram capital nos EUA. Esse movimento acendeu um sinal amarelo na B3, no grupo Iniciativa de Mercado de Capitais, do Banco Central, e na Comissão de Valores Mobiliários, como mostra reportagem de capa da revista EXAME.

Esse grupo estuda formas de permitir que essas companhias também sejam negociadas no Brasil. Estão na mesa duas opções: autorizar as empresas a emitir certificados de depósito de ações (chamados de BDRs) ou liberar a dupla listagem. Hoje há restrição para que empresas brasileiras listadas no exterior com mais de 50% dos negócios no Brasil sejam negociadas por aqui.

Seria uma forma de trazer startups e empresas em forte expansão para a bolsa brasileira, tirando a dependência de companhias tradicionais e ligadas ao governo.