Mais de mil acionistas se mobilizam contra empresas de Eike

Advogado que preside a União dos Acionistas Minoritários do Grupo EBX afirma que investidores recorrem ao Ministério Público em busca de seus direitos

São Paulo – Após um turbilhão de notícias mal recebidas pelo mercado nos últimos meses, as ações de empresas pertencentes ao Grupo EBX listadas na Bovespa amargam fortes perdas. A OGX (OGXP3) e a OSX (OSXB3) estão entre as maiores desvalorizações das companhias de Eike Batista.

Em busca da defesa de seus interesses, parte dos acionistas anunciou nesta semana a criação da UNAX, União dos Acionistas Minoritários do Grupo EBX. EXAME.com conversou com o presidente da UNAX, o advogado Adriano Mezzomo. Confira a entrevista abaixo:

EXAME.com – Como a UNAX está se organizando?

Mezzomo – Temos recebido contatos de diversos investidores, desde o pequeno poupador até o investidor mais experiente e com grandes posições. São brasileiros e estrangeiros que se sentem lesados. É um grupo bastante heterogêneo. Estamos nos organizando para participarmos das Assembleias de Acionistas das empresas do Grupo EBX. E, em paralelo, estamos também providenciando medidas legais cabíveis perante a Comissão de Valores Mobiliários.

EXAME.com – Quais as primeiras providências já tomadas por vocês?

Mezzomo – A CVM está investigando e, na minha opinião, o órgão regulador será ultrapassado pela sociedade nesta causa. Digo isto por que muitos acionistas que fazem parte do nosso grupo estão indo atrás de seus direitos por meio de outros canais, principalmente pelo Ministério Público.

EXAME.com – E como se dá este processo por meio do Ministério Público?

Mezzomo – Em se comprovando que houve ação ou omissão que gerou essas fortes perdas, esta é uma questão que poderia se transformar numa medida de bloqueio dos bens de Eike Batista na justiça. Como advogado, acredito que seja factível que, caso se prove que houve realmente o descasamento ou omissão de informações ao mercado, as indenizações aos acionistas ultrapassariam o valor patrimonial de Eike Batista.

EXAME.com – Considerando que os acionistas das empresas do Grupo EBX (ou de qualquer outra companhia listada em bolsa) assumiram os riscos inerentes ao mercado de capitais, quais são principais reclamações da UNAX, já que os investidores sabiam dos riscos ao se tornarem sócios?

Mezzomo – Nosso principal ponto é que, no mercado de ações, existe uma regra bem clara que diz respeito à transparência para com o investidor. As empresas do Grupo EBX teriam a obrigação de tratar de suas projeções com absoluta clareza perante o mercado e definitivamente não foi isso que aconteceu. A OGX é o exemplo mais claro disso. É inadmissível uma reversão de expectativa de exploração/produção de petróleo tão abrupta como aconteceu, fazendo com que diversos investidores perdessem dinheiro num curto espaço de tempo. É sobre descolamento entre expectativa e realidade que queremos uma retratação da empresa. Os danos causados por todos estes últimos acontecimentos envolvendo os acionistas do Grupo EBX podem representar um significativo retrocesso para o mercado de capitais brasileiro. Vale lembrar que não temos um histórico favorável no que diz respeito à bolsa de valores; o brasileiro ainda é traumatizado quando o assunto é investir em ações.

EXAME.com – Quantos acionistas já participam deste movimento?

Mezzomo – Este é um número difícil de cravar, pois muitas pessoas que participam do movimento representam grupos ou clubes de investimentos. Por exemplo, acabo de conversar com um acionista que coordena um grupo de 80 outros acionistas das empresas do Grupo EBX. Acredito que pouco mais de mil pessoas já estejam neste processo, direta e indiretamente, e diariamente o número de interessados cresce.