Entenda como funcionam os minicontratos na BM&F

Às 10 horas da manhã do dia 17 de janeiro, uma quinta-feira, o contrato Ibovespa futuro para fevereiro abriu o pregão a 59.300 pontos. Às 11h59 ele atingiu seu melhor momento, a 59.900 pontos e depois disso “andou de lado” até começar a despencar irremediavelmente às 13h20, fechando a 57.167 pontos na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

O investidor que comprou um minicontrato do Ibovespa no primeiro minuto do dia poderia ter ganho 120 reais no melhor momento, ou perdido 426,60 reais no pior ponto. Não entendeu? Na BM&F é assim: é tão fácil ganhar pouco quanto perder muito.

Pouca gente conhece a BM&F. Há quem nunca ouviu falar dela e quem já ouviu falar não sabe o quê ela negocia. Outros pensam que Bovespa e BM&F são a mesma coisa. Essa confusão tem uma explicação. Durante muito tempo investir em bolsa era assunto de banqueiros, especuladores e grandes empresários: pequeno investidor não tinha vez, então os conceitos de bolsa ainda são pouco disseminados.

Desde que a BM&F lançou os minicontratos do Ibovespa, dólar, boi gordo e café, em 2001, os pequenos começaram a especular como gente grande. Cada míni tem o tamanho correspondente a 10% a 20% do tamanho do contrato padrão negociado no pregão. Então, enquanto no contrato padrão do Ibovespa é exigido o depósito de uma margem de garantia – uma espécie de caução – de 64.712,50 reais, nos mínis é possível entrar no mercado com apenas 1.320 reais. Se o índice sobe 1.000 pontos em um dia, posso ter a pagar ou receber – o chamado “ajuste diário” – 10.000 reais no contrato padrão, ou 200 reais em um contrato do míni. Essa conta do ajuste tem que ser feita diariamente até a liquidação do contrato.

Outra vantagem do míni em relação ao padrão é que o investidor pode negociar um contrato por vez, enquanto no padrão o lote mínimo é de 10 contratos. O resultado é que os mínis já estão com jeitão de grandes. Eles estão crescendo em um ritmo alucinante. Em 2005 foram negociados 2 milhões de contratos. No ano passado, o volume saltou para 28,7 milhões. Para atrair ainda mais investidores, a bolsa deve lançar o tão aguardado míni de juros ainda no primeiro semestre deste ano.

Embora a família dos mínis tenha tanto contratos financeiros quanto agropecuários, são os financeiros que reinam absolutos. O Ibovespa é o carro-chefe, seguindo pelo dólar. “Os contratos agropecuários têm baixíssima liquidez. O investidor corre o risco de comprar o contrato e não conseguir vendê-lo no preço e no momento desejado”, alertou Fernando Augusto Cardozo, gerente da corretora Interfloat.

Neste início de ano a crise imobiliária americana aumentou a temperatura no pregão, atiçando o apetite dos especuladores, que em sua maior parte ganham e perdem dinheiro com as pequenas oscilações de preços ao longo do dia. É um prato cheio para os especuladores de plantão, que representam 99% das operações com contratos mínis na BM&F.

Esse público vem crescendo tanto que algumas corretoras, como a Terra, mantêm uma sala exclusiva para que eles venham e possam usufruir da infra-estrutura e da assessoria oferecidos pelos consultores. São 20 posições, cada uma com dois computadores para que o investidor possa operar o webtrading (plataforma de negociação) em uma máquina e na outra analisar gráficos ou ler as notícias do dia. Lá tem ar condicionado, chá, água e cafezinho, televisão LCD para relaxar e em breve entrará em funcionamento um sistema de som que reproduzirá ao vivo os gritos dos operadores no pregão. “Queremos que o nosso cliente possa viver ao máximo a experiência de operar na bolsa”, explica Paulo de Mingo, diretor da Terra Futuros.

É possível, também, operar em casa. Alguns pré-requisitos são uma conexão de banda larga de boa qualidade, um computador potente, assinar um serviço de informações financeiras (o custo médio é de R$ 120 por mês), ter conhecimentos de economia e, é claro, saber mexer no programa Excel. “Ele é fundamental para calcular os seus ganhos ou perdas e estabelecer os preços máximos ou mínimos de venda. Se você não sabe mexer no Excel, é melhor nem entrar no webtrading“, disse o professor de mercados financeiros Ricardo Humberto Rocha, do Ibmec/SP. “Não basta só ter o gosto pelo risco. A pessoa tem que estar preparada não só para ganhar, mas também para perder. Você tem que se perguntar se está preparado para perder 600 reais em um único dia”.

Hoje os clientes só podem estabelecer limites de stop loss com as corretoras. Ou seja, eles determinam o quanto aceitam perder. O cliente repassa à corretora qual é o seu preço limite e a casa executa a ordem. Em breve esse serviço será totalmente automatizado. A BM&F colocou em testes uma nova versão do webtrading. A velha já inclui algumas comodidades, como o cálculo do ajuste diário e um histórico de todas as operações realizadas. Com a nova versão no ar, serviços hoje executados manualmente, como os de stop loss, serão automatizados e devem trazer mais segurança aos clientes.

 O dia de um day trader*
Na BM&F, a palavra de ordem é a “aposta direcional”: se você acha que o preço vai subir, compra. Se aposta que o preço vai cair, vende.
  Aposta Ação Saldo
na abertura do pregão comprei Ibovespa futuro a 59.500 pontos espero que o preço suba decido liquidar minha posição e vendo a 60.500 pontos ganhei 200 reais
na abertura do pregão vendi Ibovespa futuro a 59.500 pontos espero que o preço caia decido liquidar minha posição e compro a 60.500 pontos perdi 200 reais
na abertura do pregão comprei Ibovespa futuro a 59.500 pontos espero que o preço suba decido liquidar minha posição e vendo a 58.000 pontos perdi 300 reais
na abertura do pregão vendi Ibovespa futuro a 59.500 pontos espero que o preço caia decido liquidar minha posição e compro a 58.000 pontos ganhei 300 reais
* simulação feita para 1 minicontrato de Ibovespa. Não inclui custos de corretagem ou imposto de renda