Empresas de energia decepcionam e ações caem

Ritmo de crescimento fica aquém do esperado pelos analistas

Os balanços das empresas de energia no segundo trimestre foram como um banho de água fria para investidores e analistas, que viam no setor um abrigo  contra as turbulências que atingem o mercado acionário. Apesar de evidenciarem crescimento, os números ficaram abaixo das expectativas, provocando queda nas ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Às 13h17, os papéis da Light (LIGT3) despencavam 5,03% para 24,50 reais. Os papéis da Companhia Energética de São Paulo (CESP6) perdiam 4,59% e eram cotados a 27,43 reais, enquanto os da Transmissão Paulista (TRPL4) apresentavam desvalorização de 2,18%, negociados a 51,06 reais.

De acordo com a corretora Ativa, a Transmissão Paulista teve um lucro aquém do esperado devido à menor redução em seus custos operacionais. A queda nas despesas em ritmo inferior ao projetado pode estar relacionada a fatores não-recorrentes ou a gasto com pessoal além do esperado, destaca a corretora em relatório, informando também que “a empresa avançou na modernização de sistemas, o que foi fundamental para a otimização dos custos”.

Para a corretora Fator, apesar dos gastos elevados, os resultados da Transmissão Paulista são positivos. Mas destaca: “a empresa ainda corre o risco de ter que pagar uma dívida com a Eletrobrás estimada em 1 bilhão de reais. Entretanto, juridicamente a Eletropaulo parece ser a real devedora”.

No caso da Light, a corretora Prosper lembra que, mesmo com a queda de 0,8% no consumo total de energia na área de concessão da empresa, houve um aumento de 12% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (Ebitda).  A margem Ebitda ficou 2,1 ponto percentual acima da registrada no mesmo período do ano passado, mas o lucro líquido recuou 11%, para 385,3 milhões de reais. 

De acordo com a Prosper, o aumento de receita, acompanhado de ligeiro acréscimo nos custos operacionais, demonstra que o plano de transformação anunciado pela Light já está surtindo efeito. O JP Morgan, porém, considera as ações da companhia caras em relação às demais do setor.

Já a Cesp, na avaliação da corretora SLW, apesar de ter lucrado 106% ao mais que no segundo trimestre de 2007, ainda apresenta fraco desempanho se considerado seu porte. ” Acreditamos que a divulgação de um posicionamento sobre a renovação das concessões das hidrelétricas Ilha Solteira e Jupiá, principais hidrelétricas da companhia, poderá permitir a retomada do processo de privatização e contribuir para a recuperação mais rápida dos preços das ações. Até lá, o desempenho dos papéis será conduzido por fundamentos técnicos e irá refletir a melhora do desempenho operacional, que deve ocorrer ao longo dos próximos períodos”, afirma a corretora em relatório.