Em crise, fundos hedge acreditam na eleição de Obama

Apesar de Mitt Romney ser um velho conhecido do mercado financeiro, a maioria dos gestores acreditam que Obama sairá vitorioso das eleições

São Paulo – A maioria dos gestores de fundos hedge espera que Barack Obama seja reeleito – e uma parte maior ainda acredita que o Congresso americano continuará dividido. É o que aponta o levantamento dos gestores de hedge fund de setembro de 2012 realizado pela TrimTabs/BarclayHedge. Fundos hedge são fundos de investimento mais arriscados que os tradicionais, mas que também buscam retornos mais elevados.

O dado chama a atenção visto que a dupla Mitt Romney e Paul Ryan parece ter muito mais afinidade com Wall Street do que o atual presidente americano. Na época de sua escolha como o vice de Romney, Ryan foi descrito como “facilmente confundido com um banqueiro de Wall Street” pelo jornalista Andrew Ross Sorki, do The New York Times. Paul Ryan é discípulo de grandes nomes associados ao livre mercado como Milton Friedman e Ayn Rand.

Uma das maiores armas de ataque da dupla contra Barack Obama é a defesa do livre mercado. Enquanto Obama quer aumentar os impostos para os mais ricos e expandir o papel do governo no sistema de saúde, Romney quer reformar a Medicare, a Medicaid e a lei de assistência médica de Obama. Ele também defende que os impostos deveriam ser reduzidos. Nas palavras do candidato à vice-presidência, Paul Ryan: “Nossos direitos vêm da natureza e de Deus, não do governo”.

Por enquanto, Romney têm levado vantagem. Seu bom desempenho no debate da semana passada o ajudou a ultrapassar o presidente Barack Obama, mostrou uma pesquisa do Pew Research Center nesta segunda-feira.

A pesquisa da TrimTabs/BarclayHedge também apontou que, em agosto, a indústria de fundos hedge levantou 5,1 bilhões de dólares (0,3% dos ativos) , revertendo a saída de 9,2 bilhões de dólares em julho. 

Baseada em dados de 2999 fundos, a pesquisa estima que os ativos da indústria estavam em 1,7 trilhão de dólares em agosto – uma queda de 28,7% em relação ao pico em junho de 2008, com 2,4 trilhões de dólares. 

“A entrada que vimos em agosto não pode mascarar os profundos problemas enfrentados pela indústria de fundos hedge esse ano”, disse Sol Waksman, fundador e presidente da BarclayHedge. Enquanto a indústria teve entradas em 4 dos primeiros 8 meses de 2012, saídas muito mais fortes nos outros 4 meses renderam resgates líquidos de 13,2 bilhões de dólares (2,0% dos ativos).