Dólar volta a R$2,71, com expectativa de câmbio pressionado

Às 11h31, a moeda norte-americana subia 0,63 por cento, a 2,7110 reais na venda, após atingir 2,7120 reais na máxima da sessão

São Paulo – O dólar subia nesta quarta-feira, voltando ao patamar de 2,70 reais, com alguns investidores apostando que os níveis de cotação mais altos vistos nas últimas sessões vieram para ficar.

Às 11h31, a moeda norte-americana subia 0,63 por cento, a 2,7110 reais na venda, após atingir 2,7120 reais na máxima da sessão e 2,6930 reais na mínima. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de 275 milhões de dólares.

“A impressão que eu tenho é que o dólar estava baixo demais e a alta dos últimos dias serviu para corrigir esse desequilíbrio”, disse o superintendente de câmbio da corretora Tov, Reginaldo Siaca.

Entre sexta-feira e segunda-feira passadas, a moeda norte-americana saltou de 2,61 a 2,71 reais, ou quase 4 por cento. O movimento foi desencadeado pela declaração do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que não havia intenção de manter o câmbio sobrevalorizado.

Vários analistas vêm estimando que o “valor justo” do dólar em relação ao real deveria ser mais alto do que o atual, devido à deterioração de fundamentos macroeconômicos do Brasil.

Na pesquisa Focus do Banco Central, economistas de instituições financeiras esperam que a divisa norte-americana acabe 2015 a 2,80 reais, refletindo ainda a expectativa de alta dos juros norte-americanos.

Segundo operadores, após os movimentos expressivos das últimas sessões, alguns investidores usavam a oportunidade para montar apostas em mais altas do dólar, o que contribuía para sustentar o avanço da moeda norte-americana nesta sessão.

No cenário doméstico, investidores também seguiam atentos à situação em torno da Petrobras. Na sessão passada, notícias sobre mudanças na diretoria da estatal alimentaram a demanda de investidores estrangeiros pelo papel e contribuíram para reduzir as cotações do dólar.

Nesta manhã, a presidente da companhia, Maria das Graças Foster, e cinco diretores renunciaram a seus cargos. Novos executivos serão eleitos em reunião do Conselho Administrativo na sexta-feira.

“Se a nova diretoria tiver de fato um perfil mais técnico, será mais um sinal de que o governo está buscando recuperar a confiança do mercado”, disse o gerente de câmbio da corretora Treviso, Reginaldo Galhardo.

Nesta manhã, o BC deu continuidade às intervenções diárias, vendendo a oferta total de até 2 mil swaps cambiais. Foram vendidos 800 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 1.200 contratos para 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a 98 milhões de dólares.

O BC fará ainda mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em 2 de março, que equivalem a 10,438 bilhões de dólares, com oferta de até 13 mil contratos. Até agora, a autoridade monetária já rolou cerca de 12 por cento do lote total.