Dólar tem pouca variação no 1o pregão de novembro

Intervenções do Banco Central e declarações de integrantes do governo deixaram claro nos últimos meses que o dólar deve ficar acima de R$ 2

Apesar da forte agenda de indicadores domésticos e no exterior, o dólar começou o mês de novembro da mesma forma que terminou outubro: congelado.

A moeda norte-americana seguia negociada com pouca variação nesta quinta-feira, em torno de 2,03 reais, nível que autoridades brasileiras consideram favorável à vacilante indústria do país.

Intervenções do Banco Central e declarações de integrantes do governo deixaram claro nos últimos meses que o dólar deve ficar acima de 2 reais. A previsibilidade da cotação da moeda afastou os investidores do mercado, o que é evidenciado pela volatilidade ínfima e pelos pequenos volumes diários.

Às 11h46, a moeda norte-americana tinha leve alta de 0,06 por cento, para 2,0315 reais na venda. Durante todo o mês de outubro, o dólar subiu apenas 0,11 por cento.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de 605 milhões de dólares.

“Estamos praticamente congelados, engessados. A agenda de indicadores lá fora está forte hoje, mas isso basicamente não influencia em nada”, afirmou o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca.

Dados divulgados mais cedo mostraram que a economia chinesa pode finalmente estar retomando a força. O Índice de Gerentes de Compra (PMI na sigla em inglês) oficial do setor industrial do país subiu para 50,2 em outubro ante 49,8 em setembro –a primeira vez acima do nível de 50 desde julho..

Nos Estados Unidos, dados de emprego também mostravam que a maior economia do mundo pode estar recuperando o fôlego. O setor privado do país abriu 158 mil postos de trabalho em outubro, acima das expectativas, enquanto os pedidos de auxílio-desemprego caíram para 363 mil na semana passada.

Embora tais dados ajudassem a alimentar o apetite por risco do investidor nas praças financeiras internacionais, o dólar também tinha oscilações pequenas em relação a outras moedas.

Frente a uma cesta de divisas, o dólar registrava variação positiva de 0,01 por cento, enquanto o euro subia 0,09 por cento ante a moeda norte-americana.


As incertezas sobre as perspectivas da economia global –incluindo a crise da dívida da zona do euro, o “abismo fiscal” dos Estados Unidos e a desaceleração da atividade chinesa– ainda dão um tom de cautela aos mercados, segundo o operador do Banco Daycoval Luiz Fernando Gênova.

“O mercado continua receoso. O crescimento econômico continua sendo a grande questão dos mercados e, enquanto não houver uma melhora significativa, o pessoal continuará com receio de aumentar a exposição ao risco”, afirmou.

A ausência de grandes acontecimentos no cenário internacional tem colaborado para manter o dólar nos atuais níveis, além da posição das autoridades brasileiras sobre o câmbio.

A intenção de manter o real desvalorizado foi novamente evidenciada na quarta-feira, desta vez pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que disse que o governo está “empenhado” em manter o dólar no nível de 2 reais.

O governo defende que a moeda norte-americana nesse nível aumenta a competitividade da indústria brasileira no exterior, essencial para impulsionar o fraco crescimento econômico do país.

Segundo dados divulgados mais cedo, a produção industrial brasileira caiu 1 por cento em setembro frente a agosto.

Trata-se do pior resultado mensal desde janeiro passado, quando a contração foi de 1,8 por cento, e pior do que o esperado pelo mercado.

“Aparentemente, para os exportadores essa taxa (de câmbio) está razoável, e por isso o dólar não vai para um lado nem para o outro”, disse Siaca, da Advanced.