Dólar tem leve alta e giro fraco, de olho nos EUA

No Brasil, profissionais descreveram um mercado "travado", à espera de novidades dos EUA

São Paulo – As negociações entre democratas e republicanos nos Estados Unidos, em relação ao orçamento e à ampliação do teto da dívida do país, continuaram sob lupa nos mercados globais. No câmbio brasileiro, a atenção se traduziu em cautela, reduzindo a liquidez e limitando variações nesta terça-feira, 15.

“Todos ainda estão apreensivos com a questão fiscal norte-americana”, resumiu um profissional de um grande banco. O dólar manteve-se em alta no dia, com o mercado também discutindo se o Banco Central irá rolar os contratos de swap que vencem em 1º de novembro.

A moeda norte-americana no balcão registrou alta de 0,41% e encerrou a R$ 2,184. Na máxima, marcou R$ 2,189 (+0,64%) e, na mínima, atingiu R$ 2,177 (+0,09%). No mercado futuro, o dólar para novembro subia 0,02%, cotado a R$ 2,1920.

Pela manhã, a expectativa de que o Congresso norte-americano chegasse a um acordo para resolver o impasse fiscal – mesmo que momentaneamente – gerou algum otimismo no exterior.

Isso favoreceu, por exemplo, a alta das Bolsas na Europa, mas o dólar mantinha direções distintas ante moedas de países ligados a commodities. No Brasil, profissionais descreveram um mercado “travado”, à espera de novidades dos EUA.

“Em teoria, se sair um acordo nos EUA, deixamos de lado o cenário de catástrofe, de default do país. No curtíssimo prazo, o dólar pode até ganhar força ante o real com isso”, comentou o operador. “Mas, no médio prazo, se o mercado entender que pode ser prorrogado o momento de início da redução de estímulos pelo Federal Reserve, isso teria uma pressão de baixa para o dólar”, acrescentou.

Nos EUA, à tarde, as negociações no Senado foram suspensas enquanto a Câmara trabalha em um projeto separado para resolver a questão fiscal. Os líderes do Senado davam os toques finais em um plano bipartidário que eleva o teto da dívida até 15 de fevereiro.

Mas os republicanos da Câmara passaram a considerar uma nova iniciativa, que evita um calote, mas acrescenta termos que sofrem a oposição de democratas e da Casa Branca. O presidente dos EUA, Barack Obama, tinha reunião marcada com os líderes do Congresso nesta tarde para tentar avançar no acordo.

Além do cenário externo, profissionais da área de câmbio discutiram a possibilidade de o BC não rolar, de forma integral, os contratos de swap que vencem em 1º de novembro.

Se não rolar todos os contratos, o BC recolhe recursos do sistema, o que reduziria um pouco a pressão de baixa mais recente da moeda norte-americana. O BC, entretanto, deve esperar pelo menos até quinta-feira – quando o teto da dívida dos EUA será atingido, se não houver acordo entre democratas e republicanos – para adotar uma posição.