Dólar tem leve alta de 0,17%, com mercado de olho no BC

Há a possibilidade do Banco Central voltar a atuar no câmbio caso a divisa dos Estados Unidos seja negociada abaixo de R$ 2

São Paulo – O dólar registrava leve alta ante o real nesta quinta-feira, com investidores cautelosos com a possibilidade de o Banco Central voltar a atuar no câmbio caso a divisa dos Estados Unidos seja negociada abaixo de 2 reais, nível que é considerado um piso informal pelo mercado.

Às 11h20, a moeda norte-americana subia 0,17 por cento, para 2,0251 reais, depois de atingir 2,0160 reais na mínima do dia.

“O mercado está administrando uma possível entrada do BC, pois acredita que, se o dólar cair abaixo de 2 reais, provavelmente teremos uma intervenção para segurar a valorização do real”, afirmou o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo.

Os investidores estão atentos à possibilidade de atuações da autoridade monetária com o dólar abaixo de 2 reais pois, quando a divisa foi negociada brevemente neste patamar no final de junho, o diretor Política Monetária do BC, Aldo Mendes, declarou que esse nível poderia ser prejudicial para a indústria brasileira. Mendes alertou ainda que o BC poderia atuar comprando dólares no mercado futuro caso fosse necessário.

“Há um piso e um teto informal com os quais o mercado está trabalhando, pois abaixo de 2 reais, o BC compra (dólares), e acima de 2,10 reais, vende”, disse Galhardo, referindo-se aos leilões de swap cambial tradicional –operações que equivalem a uma venda de dólares no mercado futuro– que o BC realizou quando a divisa ameaçou ultrapassar 2,10 reais, também no final de junho.

A estrategista do RBS Securities Flavia Cattan-Naslausky também acredita que o dólar abaixo de 2 reais eleva as chances de atuação do BC. “A última vez que a gente caiu abaixo de 2 reais, o Banco Central ameaçou entrar no mercado ‘spot’ (à vista). Então, se (o dólar) cair abaixo de 2 reais, seria o momento de comprar dólar”, disse.

Para Galhardo, da Treviso, o mercado de câmbio brasileiro acompanhava ainda o movimento do euro, que se desvalorizava cerca de 0,3 por cento em relação à divisa dos Estados Unidos. Em relação a uma cesta de moedas, o dólar era operado próximo à estabilidade.