Dólar tem estabilidade com dados mistos no exterior

A variação da divisa continuava modesta devido também à diminuição da volatilidade do mercado de câmbio brasileiro após recentes intervenções do Banco Central

São Paulo – Como nos últimos dias, o dólar era operado com estabilidade ante o real nesta quarta-feira, com investidores pesando incertezas sobre a Espanha e o crescimento global com dados positivos dos Estados Unidos.

A variação da divisa continuava modesta devido também à diminuição da volatilidade do mercado de câmbio brasileiro após recentes intervenções do Banco Central e declarações de autoridades do governo em defesa do real mais desvalorizado.

Às 11h43, a moeda norte-americana tinha estabilidade, a 2,0269 reais na venda. No exterior, o dólar avançava 0,20 por cento em relação a uma cesta de divisas, enquanto o euro cedia cerca de 0,05 por cento frente ao dólar.

“Há um movimento de aversão ao risco nesta semana, com o mercado olhando se a Espanha vai pedir ou não um resgate …

Isso gera apreensão e os investidores vão para o dólar porque ele é considerado um porto seguro”, afirmou o consultor de pesquisas econômicas do Banco de Tokyo-Mitsubishi, Mauricio Nakahodo.

Dados destacando fundamentos econômicos fracos também pesavam sobre o sentimento do investidor nesta semana. A China, segunda maior economia do mundo, dá sinais que caminha para o sétimo trimestre consecutivo de desaceleração.

O Índice de Gerentes de Compra (PMI) oficial do setor de serviços do país enfraqueceu com força em setembro, atingindo o menor nível desde novembro de 2010 ao registrar 53,7 ante 56,3 em agosto.

Por outro lado, dados da economia dos Estados Unidos apontavam para um lado mais otimista. O setor privado do país criou 163 mil postos de trabalho em setembro, enquanto o índice do setor de serviços acelerou para para 55,1 no mesmo período, ambos os resultados acima das expectivas de economistas.

O mercado de câmbio brasileiro continuava travado em torno de 2,02 reais. Desde meados de setembro, quando o BC interveio com força para segurar o dólar acima de 2 reais, os pregões foram marcados por pequena volatilidade. De 17 de setembro –último dia que o BC atuou– até o fechamento de ontem, o dólar recuou 0,15 por cento.

“As incertezas na Europa devem continuar, mas não devemos ter um cenário de ruptura. Por isso, acredito que a tendência é que o dólar fique nessa banda (de 2 a 2,05 reais) até o final do ano sem grandes esforços das autoridades brasileiras”, disse Nakahodo.