Dólar sobe quase 6% em novembro, negociado em R$ 4,24

Moeda superou seu recorde histórico este mês, impulsionada por fatores internos e externos

Fortalecido pela queda dos juros no Brasil, a falta de apetite estrangeiro e fatores externos, o dólar encerrou o mês de novembro com um avanço de 5,9% frente ao real. A moeda dos Estados Unidos fechou negociada em 4,2405 reais nesta sexta-feira (29), em alta de 0,58%.

Na véspera, o dólar caiu 1,00%, a 4,2160 reais na venda, apoiado por atuações extraordinárias do Banco Central no câmbio e pela revisão para cima da balança comercial no Brasil. Nos últimos dias, a moeda superou seu recorde histórico ao alcançar quase 4,28 reais, mas caiu após ajustes e a venda de dólares no mercado à vista.

A sessão desta sexta-feira foi volátil, marcada pela formação da Ptax (taxa de referência do câmbio usada em contratos), com os investidores de olho na decisão do banco central chileno anunciou uma pesada venda de dólares no mercado local, o que também teve impacto sobre a cotação à vista desta sexta-feira na abertura dos mercados brasileiros.

O Banco Central do Chile informou na quinta-feira que interviria no mercado de câmbio com vendas de até 20 bilhões de dólares, em meio ao recente colapso da moeda local, o peso, devido à incerteza social que o país está enfrentando. A intervenção ocorrerá a partir de segunda-feira e ocorrerá até maio do próximo ano.

No entanto, o dólar reverteu seu curso e passava a subir contra o real no mercado interbancário nesta sessão, o que, segundo Cleber Alessie Machado, operador da H.Commcor, deve-se à formação da Ptax, evento que tradicionalmente adiciona volatilidade aos negócios.

“No último dia útil sempre há formação da Ptax, e sempre há brigas”, disse. “Por conta dessa mudança drástica na cotação que vimos ao longo deste mês, a disputa promete ser intensa. Hoje vamos ter muitos movimentos técnicos e especulativos sem nenhuma manchete relevante.”

Em novembro, a moeda norte-americana acumulou ganhos fortes contra o real, por motivos que variam da decepção com os leilões de excedentes da cessão onerosa às tensões políticas no Brasil e na América Latina. Apenas nesta semana, o dólar registrou três máximas recordes seguidas para fechamento, defendendo posição acima dos 4,20 reais.

Diante da disparada recente da divisa dos EUA, o Banco Central anunciou quatro leilões extraordinários esta semana, em tentativa de controlar um comportamento exagerado da taxa de câmbio.

Machado, quando perguntado se as intervenções do BC devem permanecer, disse que a instituição “só tem que garantir bom funcionamento do mercado. Recentemente, viu excesso e atuou. Se o BC voltar a ver que o mercado está ficando disfuncional, ele vai voltar a atuar de novo”.