Dólar sobe para R$ 2,26 com ata do Fomc

Na máxima da sessão, o dólar bateu em R$ 2,2620 (+0,48%) e, na mínima, havia registrado R$ 2,2510 (estável)

São Paulo – A ata da última reunião do Federal Reserve, divulgada na tarde desta quarta-feira, 20, era o evento mais aguardado pelos investidores e, diferentemente de outras ocasiões, hoje foi “market mover”.

O dólar foi às máximas depois que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed sinalizou a possibilidade de elevação antecipada de juros.

Logo após a divulgação do documento, o dólar à vista negociado no balcão renovou a máxima cotação do dia, da mesma forma que, no exterior, o dólar saltou ante outras moedas commodities.

Na máxima da sessão, o dólar bateu em R$ 2,2620 (+0,48%) e, na mínima, havia registrado R$ 2,2510 (estável).

No final da sessão, a moeda terminou com valorização de 0,40%, a R$ 2,2600, tendo negociado, até 16h34, US$ 1,845 bilhão – dos quais US$ 1,597 bilhão em D+2.

No mercado futuro, o dólar para setembro avançava, às 16h34, 0,58%, a R$ 2,2680.

A explicação para a puxada da moeda no Brasil é a de que, caso o BC dos EUA realmente suba a taxa de juros, poderia reduzir o fluxo de moeda para cá.

A leitura do Fed é de que as condições do mercado de trabalho, observado de perto para os ajustes na condução da política monetária, “se moveram ‘notavelmente’ para mais perto do normal”.

Para Ovídio Pinho Soares, operador da Icap, a ata do Fomc deu uma “sacudida na árvore”, mas não deve representar uma mudança de tendência no rumo do dólar.

Em sua avaliação, o mercado já sabe que a economia dos Estados Unidos está melhorando e era previsto que o BC norte-americano ratificasse essa retomada.

Além disso, há o contraponto do restante da economia global, que continua fraca.

Internamente, Soares destacou que os recursos estrangeiros tendem a continuar entrando, ainda que em quantias moderadas, por causa da alta taxa de juros real e diante das indicações de que o BC seguirá usando as suas armas para evitar altas maiores da moeda norte-americana.

Para Soares, atualmente, o conflito Ucrânia/Rússia é motivo de maiores incertezas para o mercado do que a política no Federal Reserve.

Com o evento do Fed, outros acontecimentos do dia ficaram em segundo plano, caso das medidas anunciadas por Banco Central e Fazenda e também o fluxo cambial semanal.