Dólar sobe com aversão ao risco no exterior e Copom

Investidores buscaram proteção na moeda norte-americana por causa de fatores geopolíticos, como sanções impostas à Rússia e queda de avião da Malaysia Airlines

São Paulo – O dólar doméstico passou a sessão desta quinta-feira, 17, em alta, fechando no maior patamar um mês. A divisa subiu ante várias moedas, incluindo o real, diante da aversão ao risco que se instalou no exterior.

Os investidores buscaram proteção na moeda norte-americana e também nos Treasuries por causa de fatores geopolíticos, envolvendo a imposição das sanções impostas à Rússia pelos Estados Unidos e pela União Europeia e a queda de um avião da Malaysia Airlines na Ucrânia, hoje.

Há suspeitas de que a aeronave tenha sido abatida por grupos separatistas pró-Rússia. Para piorar, no final da tarde, chegou a informação de que Israel iniciou uma invasão por terra à Faixa de Gaza.

No balcão, o dólar terminou com alta de 1,26%, a R$ 2,25, maior patamar desde 17 de junho (R$ 2,2560). Em termos porcentuais, é o maior avanço desde 2 de junho, quando registrou aumento de 1,47%.

A máxima foi renovada quase no final da sessão, com a informação da invasão de Israel, quando o dólar atingiu R$ 2,254 (+1,44%). O dólar para agosto subia, às 16h45, 1,57%, a R$ 2,2680.

Ainda sob o impacto da informação de que o fluxo cambial ficou negativo na semana passada, o câmbio doméstico reagiu também ao comunicado do Copom.

Como amplamente esperado, a Selic foi mantida em 11,00%, mas surpreendeu o fato de os diretores, assim como no comunicado de maio, afirmarem que decidiram pela manutenção da taxa “neste momento”.

Isso, na leitura dos investidores, deixou a porta aberta para um eventual corte da Selic, até mesmo em setembro. A leitura é de que uma eventual redução da taxa básica torna menos interessantes as operações de arbitragens entre os juros aqui e no exterior, o que reduziria a entrada de dólares no país.