Dólar sobe ante real acompanhando ajuste no exterior

No mercado à vista, o dólar abriu a R$ 2,2630 (+0,22%) e, em seguida, testou uma máxima, a R$ 2,2690 (+0,49%)

São Paulo – O mercado de câmbio doméstico opera o dólar em alta ante o real desde a abertura da sessão desta sexta-feira, 12, acompanhando o ajuste positivo da moeda norte-americana no exterior em meio a preocupações com o crescimento econômico da China. É grande a expectativa pelos dados do PIB chinês, que serão divulgados na próxima segunda-feira, 15.

No mercado à vista, o dólar abriu a R$ 2,2630 (+0,22%) e, em seguida, testou uma máxima, a R$ 2,2690 (+0,49%). Na BM&FBovespa, o contrato de dólar futuro para agosto de 2013 era negociado às 9h55 a R$ 2,2780 (+0,57%), após oscilar de R$ 2,2710 (+0,26%) a R$ 2,2790 (+0,62%).

No Brasil, a queda do índice de atividade econômica medido pelo Banco Central (IBC-BR) em maio, de 1,4% ante abril com ajustes – a maior desde dezembro de 2008 – também ajuda a sustentar a demanda interna pela moeda norte-americana, segundo operadores de câmbio.

Nesse contexto, por enquanto, a nova medida cambial adotada pelo Banco Central visando atrair dólares para o Brasil ainda não influencia as decisões de negócios.

O economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil), Flávio Serrano, disse que o resultado do IBC-Br de maio pode levar o governo brasileiro a conceder mais estímulos ao consumo e também aumenta a chance de o Banco Central interromper o atual ciclo de alta dos juros antes do esperado.

Nos Estados Unidos, foi divulgado o índice de inflação no atacado. O índice de preços ao produtor (PPI) subiu 0,8% em junho, ante previsão de +0,50%. O núcleo do PPI subiu 0,2% em junho, ante previsão de +0,1%. Por enquanto, esse indicador não afeta a trajetória de alta do dólar em âmbito mundial.


Durante a madrugada no Brasil, a cautela com a situação econômica da China estimulou um movimento de realização de lucros com o petróleo e os metais básicos no exterior, com consequente migração de recursos para o dólar.

Os investidores em âmbito mundial se anteciparam à divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) chinês do segundo trimestre. Há pouco, no entanto, as vendas de petróleo foram interrompidas e a commodity já subia.

No fim da noite de quinta-feira, 11, o ministro de Finanças da China, Lou Jiwei, sugeriu durante um evento em Washington que o país pode ter de conviver com uma taxa de crescimento significativamente mais baixa do que a dos últimos anos.

Isso levantou receios de uma forte desaceleração no segundo maior consumidor de petróleo do mundo. A economia da China deve crescer em torno de 7% em 2013, afirmou Lou Jiwei.

Diante da perspectiva recente de continuidade por um período maior que o esperado dos estímulos à economia nos Estados Unidos e na zona do euro, o Banco Central brasileiro adotou na quinta-feira uma nova medida para atrair dólares.

O BC alterou o requerimento de capital para exposição dos banco à variação cambial. Segundo o BC, a mudança facilita a captação de recursos em subsidiárias de instituições financeiras no exterior e também a transferência do dinheiro à matriz no Brasil. Em outra medida, o BC permitiu que o BNDES também possa acessar linhas de redesconto.

Em Nova York, às 9h58, o euro caía a US$ 1,3034, de US$ 1,3096 no fim da tarde de ontem. O dólar subia 0,62% ante a libra esterlina e avançava a 99,50 ienes, de 98,97 ienes na véspera. A moeda norte-americana também estava em alta ante o dólar australiano (+1,63%), o dólar canadense ( +0,13%), o peso chileno (+0,09%), o peso mexicano (+0,28%) e o dólar neozelandês (+0,90%).