Dólar sobe 1%, volta ao patamar de R$ 1,95, com Europa

Os investidores estão testando novos patamares da moeda norte-americana após seis sessões consecutivas sem intervenção do Banco Central

São Paulo – O dólar avançava mais de 1 por cento ante o real nesta quarta-feira, diante da apreensão nos mercados internacionais com as mudanças políticas na Europa e com os investidores testando novos patamares da moeda norte-americana após seis sessões consecutivas sem intervenção do Banco Central.

Com isso, o dólar voltou ao patamar de 1,95 real, algo que não acontecia há quase três anos. Mesmo assim, segundo operadores, esse movimento de alta deve continuar e pode até mesmo chegar à casa de 2 reais.

Às 10h48 (horário de Brasília), o dólar tinha alta de 0,92 por cento, cotada a 1,9565 real, após atingir 1,9654 real na máxima da sessão. As incertezas em relação ao destino político da Grécia e aos novos passos da zona do euro para combater a crise da dívida do bloco monetário feriam o apetite por risco dos investidores, levando as bolsas de valores a registrarem quedas de mais de 1 por cento.

O líder de esquerda da Grécia, Alexis Tsipras, reúne-se nesta quarta-feira com líderes dos principais partidos políticos da Grécia em busca de um acordo para formar um governo de coalizão, mas suas chances parecem pequenas após ele ter estabelecido a renúncia aos termos de um resgate internacional como pré-condição.

“O mercado está estressado em função dos eventos externos e por isso há uma fuga dos ativos de risco, levando a um estresse no mercado de dólar”, afirmou um diretor de tesouraria de um banco nacional que pediu para não ser identificado. No entanto, a alta do dólar em relação ao real era mais acentuada do que na comparação com outras divisas.

Em relação a uma cesta de moedas, por exemplo, a divisa dos Estados Unidos registrava ganhos de cerca de 0,5 por cento. Segundo o diretor de tesouraria, esse movimento se deve a uma menor oferta de dólares no mercado doméstico, uma vez que o BC fez várias intervenções nos últimos meses para enxugar excessos de liquidez no mercado.

A autoridade monetária voltou a atuar no câmbio no início de fevereiro, quando o dólar estava próximo de 1,70 real. Em meados de abril, o BC passou a atuar de forma mais expressiva, levando a moeda norte-americana de 1,83 real para cerca de 1,88 real. No entanto, desde 30 de abril, quando a divisa fechou acima de 1,90 real, o BC não intervém.

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, acredita, no entanto, que a alta mais expressiva do dólar ante o real acontecia devido a especulações dos investidores em relação a taxa de câmbio. “Como o BC não tem entrado (no mercado) nos últimos dias, os investidores não sabem se ele está satisfeito com essa taxa, e por isso testa novos patamares para saber em qual nível o BC vai entrar vendendo (dólares)”, disse Galhardo, destacando que a autoridade monetária pode inverter sua posição e passar a vender dólar -em vez de comprar, como vinha fazendo- para evitar um repasse à inflação.

“Próximo de 2 reais, o BC vai entrar para vender dólar. Se ele fizer isso em 1,95 real, o mercado vai explodir, pois sinaliza que 1,96 real é barato”, declarou o gerente.