Dólar se ajusta após Dilma garantir permanência de Levy

O dólar à vista fechou cotado a R$ 3,889 (+1,28%). Já o dólar futuro para novembro, que encerra apenas às 18 horas, era negociado a R$ 3,902 (-0,90%) há pouco

São Paulo – Esta segunda-feira, 19, foi um dia misto de alívio e cautela no mercado de câmbio, que dividiu as atenções entre fatores nacionais e internacionais. 

Após a disparada do dólar para novembro no fim da sessão de sexta-feira, em meio a rumores sobre a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda, a moeda neste vencimento recuou hoje durante toda a sessão.

Isso porque a presidente Dilma Rousseff garantiu a permanência de Levy no cargo. No mercado à vista, a divisa americana subiu durante todo o dia, em meio a ajustes técnicos após a disparada das cotações no segmento futuro na reta final da sexta-feira.

O dólar à vista fechou cotado a R$ 3,889 (+1,28%). Já o dólar futuro para novembro, que encerra apenas às 18 horas, era negociado a R$ 3,902 (-0,90%) há pouco.

Em função da forte volatilidade verificada no câmbio nos últimos meses, aliás, o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, também passará a calcular e a divulgar, a partir de terça-feira, 20, cotações do dólar à vista até as 18 horas.

As declarações de ontem da presidente Dilma Rousseff reforçando a permanência de Joaquim Levy à frente do Ministério da Fazenda foram bem recebidas no mercado, que encerrou a semana passada com alto grau de desconfiança quanto ao futuro do ministro.

Os rumores em torno de uma suposta carta de demissão no final da tarde de sexta-feira pareciam fazer sentido, uma vez que a política econômica de Levy vinha sofrendo críticas dentro do PT e, principalmente, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em Estocolmo (Suíça), Dilma foi enfática ao garantir que Levy não está saindo do governo e classificou como especulação os questionamentos quanto a esse assunto.

O mercado respondeu com alívio, mas não deixou de lado a cautela com a questão política. Isso porque a percepção é de que o “fogo amigo” em torno de Levy deve continuar nos próximos dias, uma vez que há assumida discordância em setores do PT em relação à condução da política econômica do governo.

Além da permanência de Levy em seu cargo, há ainda as incertezas quanto à sobrevivência do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMBD-RJ), que busca manter seu cargo em meio às crescentes evidências de manutenção de contas secretas na Suíça.

Nas mãos de Cunha também estão os pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Nesta tarde, o presidente da Câmara confirmou que deverá protocolar ainda hoje os recursos às liminares concedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) barrando o rito de tramitação do processo de impeachment.

Outro fator que manteve a cautela do investidor foi o cenário internacional, que teve na divulgação de indicadores econômicos na China a sua principal influência.

O Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresceu 6,9% no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado veio abaixo dos 7% registrados nos dois primeiros trimestres do ano.

Esta foi a primeira vez que o indicador fica abaixo dos 7% desde 2009. Os dados sugerem que as medidas do governo para apoiar a atividade econômica não foram suficientes para evitar a desaceleração da economia.

As incertezas quanto à capacidade da China de voltar a crescer levaram à valorização do dólar frente à maioria das moedas ao redor do mundo, com reflexos também no Brasil.