Dólar recua ante real, após emprego nos EUA

Investidores avaliavam que a política monetária dos Estados Unidos não deve ser alterada agora

São Paulo – Após passar boa parte da manhã praticamente estável, o dólar recuava ante o real nesta sexta-feira com os investidores avaliando que a política monetária dos Estados Unidos não deve ser alterada agora, o que reforçava as expectativas de ingresso de recursos externos no Brasil.

Segundo analistas, o desempenho do mercado de trabalho norte-americano em abril deu suporte para que o Federal Reserve, banco central norte-americano, continue retirando gradualmente suas medidas de estímulo econômico, sem afetar mais a liquidez internacional.

Às 13h10, a moeda norte-americana recuava 0,50 por cento, a 2,2188 reais na venda.

O movimento era turbinado ainda pelo baixo volume de negociações. Agentes afirmavam que o mercado está vazio, num dia entre o feriado do Dia do Trabalho no Brasil e o fim de semana.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em apenas 165 milhões de dólares.

“Essa queda (do dólar) não vem de hoje. O Brasil tem tido muito fluxo positivo e o mercado continua trabalhando em cima dessa expectativa”, disse o diretor de câmbio da corretora Pioneer, João Medeiros.

Entre o início do ano e 25 de abril, a economia brasileira registrou entrada líquida de 3,374 bilhões de dólares. Parte desses recursos é atraída pelos ganhos financeiros com o elevado diferencial entre os juros domésticos e internacionais.

Com a expectativa de poucas mudanças na política monetária dos EUA, que foi reforçada neste pregão após os dados sobre o mercado de trabalho do país, esse cenário segue forte.

A criação de postos de trabalho nos EUA cresceu no ritmo mais rápido em mais de dois anos em abril, enquanto a taxa de desemprego atingiu a mínima em cinco anos e meio, a 6,3 por cento. Mas a taxa de participação na força de trabalho recuou ao menor nível desde dezembro.

O dólar chegou a registrar altas mais expressivas logo após a divulgação do documento, mas perdeu terreno pouco em seguida.

Na máxima do dia, atingiu 2,2446 reais na venda.

No exterior, a divisa norte-americana também recuava contra moedas como os pesos chileno e mexicano.

Também pesava no Brasil a constante intervenção do Banco Central. Pela manhã, deu continuidade às intervenções diárias vendendo a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, com volume correspondente a 198,4 milhões de dólares. Foram 200 contratos para 1º de dezembro deste ano e 3,8 mil para 2 de março de 2015.