Dólar passa por correção com alívio externo e fecha em queda ante real

Moeda norte-americana recuou 0,78 por cento, a 3,8669 reais na venda, depois de subir 0,86 por cento na véspera

O dólar encerrou o pregão desta terça-feira em queda ante o real, num movimento de correção sintonizado com o exterior e após dois pregões de forte nervosismo diante da situação turca.

O dólar recuou 0,78 por cento, a 3,8669 reais na venda, depois de subir 0,86 por cento na véspera e acumular ganhos de mais de 4 por cento na semana passada.

Na mínima do dia, a moeda marcou 3,8593 reais. O dólar futuro tinha baixa de cerca de cerca de 0,40 por cento.

“Ainda que a retórica (entre Estados Unidos e Turquia) continue de agressão, os bastidores já operam para tentar solucionar diplomaticamente o problema”, escreveu o economista-chefe da gestora Infinity, Jason Vieira.

Na véspera, o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton, reuniu-se com o embaixador da Turquia nos Estados Unidos para discutir a detenção do pastor norte-americano Andrew Brunson, informou a Casa Branca.

O presidente Donald Trump está frustrado pelo fato de a Turquia não ter libertado Brunson, segundo a Casa Branca, que pressiona Ancara a libertá-lo após dois anos de detenção.

Ajudou a aliviar os mercados o anúncio do banco central turco, ao se comprometer a fornecer liquidez, e também do ministro das Finanças do país, Berat Albayrak, de que vai realizar uma teleconferência com investidores na quinta-feira, sua primeira desde que assumiu o cargo há quase dois meses.

O dólar recuava mais de 7 por cento ante a lira nesta sessão, mas a moeda turca ainda acumulava mais de 40 por cento de perdas neste ano, tendo atingido a baixa histórica de 7,24 ante o dólar na véspera.

Sobre uma cesta de moedas, o dólar passou a subir e chegou a atingir uma máxima em 13 meses, com operadores ampliando suas posições em Treasuries por preocupações sobre os desdobramentos da recente queda da lira turca.

O euro recuava ante o dólar, com os investidores vendendo a moeda diante de preocupações de bancos europeus à Turquia. A moeda norte-americana, no entanto, caía ante as moedas de países emergentes.

Na avaliação do ex-diretor do Banco Central e sócio da gestora Mauá Capital, Luiz Fernando Figueiredo, a onda de aversão ao risco global provocada pela Turquia não deve se tornar uma crise de países emergentes.

“O cerne da questão foi a guinada dramática na política econômica (da Turquia)”, afirmou, em entrevista à Reuters, acrescentando que, quanto menos dependente de questões externas, menos riscos de contágio um país emergente tem.

Internamente, os investidores se voltavam ao cenário eleitoral, nesta véspera do término do prazo para registro das candidaturas das chapas à Presidência da República.

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 4,8 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando 2,4 bilhões de dólares do total de 5,255 bilhões de dólares que vence em setembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

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