Dólar já é vendido por até R$ 4,60 em casas de câmbio

Moeda dos EUA chegou a acumular valorização de 10,5% no último mês

São Paulo – Após subir mais de 10% no último mês, o dólar turismo já chega a ser vendido entre 4,32 reais e 4,60 reais nas casas de câmbio nesta terça-feira (27). A moeda dos Estados Unidos vem rompendo máximas em quase um ano, reagindo à piora nas tensões comerciais no exterior e à cena política no Brasil.

Segundo o site “Melhor Câmbio”, a menor cotação para a moeda no cartão pré-pago era de 4,53 reais, e a maior, de 4,60 reais, incluindo o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) com alíquota de 6,38%.

Já na moeda em espécie, o dólar era vendido entre 4,32 reais e 4,38 reais. Neste caso o IOF é de 1,1% sobre a transação. As cotações foram pesquisadas em São Paulo.

BC tenta controlar a disparada

Mais cedo, o dólar comercial alcançou 4,18 reais, em alta de quase 1%, após o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, dizer que a recente desvalorização da taxa de câmbio está dentro do padrão normal.

“O real nos últimos dias tem tido desvalorização um pouquinho acima, mas está bem dentro do padrão normal”, disse ele em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.

Contudo, logo depois o Banco Central vendeu dólares no mercado de câmbio à vista , com taxa de corte de 4,125000 reais e lote mínimo de 1 milhão de dólares. Foi a primeira operação não associada a nenhuma outra em cerca de uma década. O BC não divulgou o montante total negociado.

O leilão foi anunciado enquanto a cotação do dólar disparava, chegando a uma máxima de 4,1956 reais na venda, colada no recorde histórico de fechamento.

Depois do anúncio, a moeda desacelerou os ganhos e chegou a cair para 4,1235 reais. Mas a volatilidade continuava. Às 13h55, a moeda voltava a subir 0,43%, a 4,1586 reais na venda.

Mais cedo, o BC já havia vendido 550 milhões de dólares no mercado à vista, mas a operação estava associada a uma venda de mesmo montante em swaps cambiais reversos. O BC também tem ofertado nos últimos anos dólares das reservas, mas com compromisso de recompra, em operações conhecidas como linhas.

À Reuters, um gestor destacou que a intervenção do Banco Central “piorou” outras moedas emergentes, como peso mexicano, peso argentino e rand sul-africano. “Isso mostra que está todo ‘hedgeado’ no real”, disse, referindo-se a posição vendida na moeda brasileira (apostando na desvalorização).

Esse “hedge” aumentou conforme os diferenciais de juros entre o Brasil e o mundo caíram a mínimas recordes, o que barateou a utilização do real como instrumento de proteção a posições em outros ativos, como ações e renda fixa.