Dólar recua, mas fecha acima dos R$ 5

Anúncios de estímulos econômicos alimentam maior otimismo no mercado financeiro, que vive sua pior crise desde 2008

São Paulo – O dólar comercial, referência nas transações entre empresas e bancos, fechou em queda de 0,9% e encerrou esta terça-feira,17, cotado a 5,002 reais. O dólar turismo, usado pelos viajantes, caiu 0,4% e fechou a 5,20 reais. A desvalorização da moeda americana refletiu o maior otimismo no mercado, após o Federal Reserve anunciar que, em medida de emergência, irá comprar dívidas diretamente das empresas para aliviar os mercados de crédito – o que não ocorria desde 2008. 

“Devido ao cenário um pouco melhor de hoje o dólar se comportou, teoricamente, bem frente ao real”, disse Vanei Nagem, analista de câmbio da Terra Investimentos. Segundo ele, as intervenções do Banco Central também ajudaram a conter a moeda. Pela manhã, o BC realizou leilão de linha de 2 bilhões de dólares.

Pela manhã, o dólar chegou a virar para alta e bater máxima histórica ao ser negociado por 5,078 reais, logo após a confirmação da primeira morte por coronavírus no Brasil. Cristiane Quartaroli, estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, acredita que o avanço da doença no país possa ter impactos negativos no câmbio. “A gente vai continuar em um cenário de bastante volatilidade, bastante pesado”, afirmou.

No radar do mercado também está a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) sobre a taxa básica de juro Selic. A reunião ordinária de dois dias do Copom começou hoje.

Depois que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, reduziu de surpresa sua taxa de juro para zero no domingo (15) à noite para tentar amortecer os efeitos negativos da pandemia de coronavírus, o BC brasileiro vem sendo pressionado a tomar a mesma medida.

No mercado de câmbio, o efeito de uma redução da Selic faria a moeda americana valorizar mais em relação ao real, porque investidores internacionais que aplicam em renda fixa no país poderiam tirar seus recursos do Brasil para colocar em nações tidas como mais seguras. Mas é grande o debate entre especialistas sobre a efetividade para a economia brasileira de um corte agora da Selic, que está em 4,25% ao ano, o menor nível histórico.

“O melhor seria não cortar para voltar a atrair capital estrangeiro e tirar a pressão do dólar sem o Banco Central ter que atuar. Se cortar, dólar a 5 reais vai ser o novo normal”, comentou Jefferson Laatus, estrategista-chefe do Grupo Laatus.

Vanei Nagem acredita que uma nova redução da taxa básica de juros não teria grandes efeitos sobre o câmbio. “O corte de 0,25 p.p já está precificado. Esse exagero do dólar não está em cima dos juros, está em cima de notícias ruins sobre o coronavírus”, disse.