Dólar fecha em alta de 0,47% após seis quedas seguidas

Apesar do avanço, moeda americana encerrou o pregão abaixo dos R$ 4,15

São Paulo — O dólar fechou em alta ante o real nesta terça-feira, num ajuste depois de seis pregões consecutivos de queda, em meio a um dia negativo para a maioria das moedas latino-americanas e com o mercado evitando risco um dia antes das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos.

O pregão foi de ajuste também numa medida de incerteza para a taxa de câmbio (a volatilidade implícita em contratos de opção de dólar de três meses), que subiu depois de cair por várias sessões e atingir o menor patamar em cinco anos e meio.

O dólar à vista subiu 0,47%, a 4,1486 reais na venda.

Na B3, em que as negociações vão até as 18h15, o contrato de dólar futuro mais movimentado tinha alta de 0,13%, a 4,1520 reais.

A alta da cotação nesta terça mostrou que a moeda ainda tem dificuldades em romper suportes técnicos. Na véspera, depois de seis quedas consecutivas, o dólar encostou na média móvel linear de 50 dias. Se deixada para trás de forma consistente, essa linha poderia acionar novas ordens de vendas e baixar mais o preço da divisa dos EUA.

A sequência de seis quedas foi a mais longa série do tipo desde as também seis baixas consecutivas entre 30 de agosto e 6 de setembro de 2017. Na segunda, o dólar fechou na mínima em um mês.

Na América Latina, peso chileno e sol peruano recuavam nesta sessão, enquanto as moedas de Argentina e México operavam perto da estabilidade, num dia de queda do dólar ante divisas fortes.

Parte do salto de mais de 5% do dólar ante o real em novembro decorreu, segundo analistas, do aumento da incerteza na América Latina, diante de distúrbios sociais em países como Chile, Colômbia e Bolívia.

O mercado evitou risco nesta terça também à espera das decisões de política monetária nos EUA e no Brasil. A expectativa é que o BC local corte a Selic em mais 0,50 ponto, para uma nova mínima de 4,50% ao ano, enquanto nos EUA o mercado espera estabilidade da taxa.

A redução do diferencial de juros entre ambos os mercados ao longo do ano pressionou o real, que acumula depreciação de cerca de 7% ante o dólar em 2019.

Analistas veem, porém, algum suporte ao real do lado dos fluxos nos próximos meses.

“Apesar da piora na conta corrente, esperamos que a deterioração seja limitada e gradual, conforme ingressos de recursos devem continuar robustos dadas as perspectivas de melhora no crescimento do PIB”, disse o BofA em relatório.