Dólar fecha em alta ante o real pela 3ª sessão seguida

Na semana, a moeda acumulou avanço de 0,71%. No mercado futuro, às 16h33, o dólar para setembro era cotado em R$ 2,286, com alta de 0,46%

São Paulo – O dólar cravou sua terceira sessão seguida de alta ante o real nesta sexta-feira, 22, acompanhando o movimento visto ante as demais moedas, em meio aos sinais de aperto mais próximo da política monetária norte-americana e por fatos novos relacionados à crise na Ucrânia.

No Brasil, os dados das contas externas divulgados pelo Banco Central também colaboraram um pouco para a pressão no câmbio.

O dólar no balcão encerrou em R$ 2,280, com valorização de 0,62%.

O giro foi de US$ 1,141 bilhão, com US$ 1 bilhão em D+2. Oscilou da mínima de R$ 2,2710 (+0,22%) para a máxima de R$ 2,2840 (+0,79%).

Na semana, acumulou avanço de 0,71%. No mercado futuro, às 16h33, o dólar para setembro era cotado em R$ 2,286, com alta de 0,46%.

A moeda já começou o dia em alta, amparada pelas tensões geopolíticas, após relatos de que caminhões russos com ajuda humanitária cruzaram regiões dominadas por rebeldes na Ucrânia nesta manhã sem a permissão do governo em Kiev.

A Ucrânia considerou a medida russa como uma “invasão direta”. Agora à tarde, segundo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), russos teriam disparado contra forças ucranianas.

Havia grande expectativa em relação ao discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen.

Ela ponderou que, se o ritmo de progresso no mercado de trabalho continuar mais forte que o esperado, o Fed poderá antecipar a alta das taxas de juros, reforçando o quadro apresentado pela ata da última reunião de política monetária.

Por outro lado, destacou que, se o avanço estagnar, os juros continuarão baixos.

Mais cedo, alguns diretores do Fed destacaram o vigor da economia, em defesa da mudança na postura da política monetária.

O presidente do Federal Reserve Bank da Filadélfia, Charles Plosser, disse, em uma entrevista para a Fox Business Network, que a economia está melhorando em um ritmo mais rápido do que o Fed pensava no ano passado.

Por isso, o banco central deveria mudar a sua orientação para os mercados sobre o momento de uma elevação de taxas de juros.

Já o presidente do Federal Reserve de St. Louis, James Bullard, continua prevendo que o Fed, como é conhecido o banco central dos EUA, começará a elevar taxas de juros no final do primeiro trimestre de 2015.

Além de Yellen, também discursou no Simpósio de Jackson Hole o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, que apenas reforçou a disposição da autoridade monetária em adotar estímulos para a economia da zona do euro.

Ele disse que a economia da região permaneceu fraca no segundo trimestre e que há espaço para a flexibilização do orçamento com medidas fiscais, e, ainda, que a política monetária ficará relaxada por algum tempo.

No Brasil, o Banco Central informou que o déficit nas transações correntes do Balanço de Pagamentos em julho alcançou US$ 6,018 bilhões, pior do que a mediana das expectativas do mercado (de déficit de US$ 5,850 bilhões).

Em 12 meses até julho, o saldo negativo equivale a 3,45% do PIB e no ano até julho, a 3,74% do PIB.

O Investimento Estrangeiro Direto (IED), por sua vez, não foi suficiente, em tese, para financiar o saldo negativo do mês passado, ao ficar em US$ 5,898 bilhões.

O programa de swap cambial do Banco Central está completando um ano neste dia 23 de agosto.

Atualmente, a autoridade monetária carrega posição vendida total de US$ 93,356 bilhões nestes contratos.

Em discurso durante evento em São Paulo, o diretor da Área Internacional e de Normas do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, destacou a eficácia do programa em oferecer proteção cambial aos agentes.

“Aperto (monetário) e hedge evitaram que a economia real fosse afetada por excesso de volatilidade. Queríamos dar previsibilidade ao setor real e está ocorrendo de forma bem satisfatória”, comentou, referindo-se ao programa de swaps cambiais.