Dólar fecha a R$ 4,06 após China isentar EUA de tarifas extras

Moeda caiu pela segunda sessão seguida, em baixa de 0,76%

São Paulo — O dólar fechou em queda pelo segundo dia seguido nesta quarta-feira, após a China isentar os EUA de novas tarifas sobre produtos importados. Os investidores ficaram atentos ao noticiário sobre comércio entre China e EUA, na véspera da reunião de política monetária na zona do euro, que provavelmente resultará em mais estímulos monetários.

O dólar à vista teve queda de 0,76%, a 4,0644 reais na venda.

O dólar caiu cerca de 1,6% ante o real no acumulado de setembro, depois de em agosto ter disparado, na esteira de incertezas externas e de ruídos gerados por intervenções do Banco Central no mercado cambial.

“Crescentes riscos vindos da economia global (guerra comercial e Argentina) elevam nossas preocupações sobre o real”, disseram estrategistas do Citi em nota a clientes. Recentemente, o banco passou a ver dólar a 3,91 reais ao fim de 2019.

A volatilidade implícita nas opções de real tem se estabilizado na casa de 12,8%, a alguma distância das máximas de 14,3% do fim de agosto, mas ainda longe das mínimas em torno de 10,4% de meados de julho.

Um dos fatores que mais têm afetado o real são as expectativas a respeito dos juros. O mercado projeta que a Selic cairá a 5% (ante os atuais 6%) até o fim do ano.

Com menos juros, cai o diferencial de taxa do Brasil em relação ao restante do mundo, o que desestimula alocação de capital para a renda fixa ou operações de carry trade (arbitragem com taxas de juros).

“Com a inflação rodando abaixo ou ao redor da meta, continuamos a ver o Copom cortando a Selic para 5,0% até o fim de 2019 e mantendo a taxa estável ao longo de 2020”, disseram estrategistas do Citi.

Nesta quarta-feira, o Banco Central vendeu todos os 580 milhões de dólares em moeda física ofertados e negociou ainda todos os 11.600 contratos de swap cambial reverso ofertados –nos quais assume posição comprada em dólar.