Dólar dispara e bate R$ 4,23 apesar de ofensiva do BC

Operadores relutavam em estimar até que ponto o dólar deve subir, mas é unânime a percepção de que deve continuar pressionado

São Paulo – O dólar disparava acima de 4,20 reais nesta quinta-feira, ainda pressionado por intensas preocupações com a situação econômica e política do Brasil, apesar da ofensiva do Banco Central na véspera.

Às 10:08, o dólar avançava 2,10 por cento, a 4,2333 reais na venda, após marcar a maior alta em três semanas na sessão passada.

“Estamos em uma sinuca de bico. Recessão com inflação é uma espiral perigosa e, se não sairmos rapidamente disso, pode ser desastroso. E as chances de isso acontecer são cada vez menores, principalmente com a política como está”, disse o operador de uma corretora nacional.

Operadores relutavam em estimar até que ponto o dólar deve subir, mas é unânime a percepção de que deve continuar pressionada. O dólar subiu nas cinco sessões anteriores, acumulando 8,14 por cento.

A pressão resistiu mesmo às intervenções do BC na véspera, quando realizou dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra e um leilão de novos swaps cambiais, equivalentes a venda futura de dólares.

Também durante a sessão passada, anunciou para esta sessão outro leilão de novos swaps, na qual vendeu a oferta total de até 20 mil contratos.

Nesta quinta-feira, o BC também dará continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em outubro, com oferta de até 9,45 mil contratos, equivalentes a venda futura de dólares.

Uma fonte da equipe econômica afirmou à Reuters na véspera que fazer leilões de dólares no mercado à vista é uma estratégia que não está na mesa neste momento.

A notícia ajudou o dólar futuro a ampliar o avanço após o fechamento do mercado à vista e, por isso, o derivativo tinha avanço menor nesta sessão.

O mercado entende que, de fato, não há grande necessidade de leilões no mercado à vista, uma vez que o Brasil tem registrado entradas de divisas.

No entanto, alguns operadores já levantavam a possibilidade de esse cenário mudar no curto prazo, se o Brasil perder o grau de investimento com outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor’s.

“O mercado está apostando em uma saída de capitais e em mais rebaixamento”, disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado.

Nesta sessão, o avanço do dólar em relação às principais moedas emergentes, como os pesos chileno e mexicano, também pesava sobre o mercado local.