Dólar contraria exterior e cai para R$ 2,4730

Na semana, a divisa acumulou valorização de 2,44%. No ano, a alta é de 4,97%

São Paulo – O dólar ante o real até ameaçou acompanhar o movimento externo pela manhã, quando chegou a superar o nível de R$ 2,50, mas as especulações em torno do cenário eleitoral abriram espaço para a desmontagem de posições compradas no mercado futuro, o que jogou a moeda para baixo.

Além disso, a cotação elevada da divisa atraiu exportadores, o que contribuiu para a desvalorização do dólar à vista.

O dólar no balcão encerrou esta sexta-feira com recuo de 0,60%, a R$ 2,4730, depois de variar entre uma mínima de R$ 2,4690, pela manhã, e uma máxima de R$ 2,5070, à tarde.

Na semana, a divisa acumulou valorização de 2,44%. No ano, a alta é de 4,97%.

O giro financeiro registrado na clearing de câmbio da BM&FBovespa às 16h30 era expressivo e somava US$ 3,061 bilhões.

No mercado futuro, o dólar para novembro caía 0,93%, a R$ 2,4925.

Os investidores começaram o dia divididos entre duas informações: pesquisa eleitoral divulgada na noite de ontem e o payroll, conhecido logo cedo.

A economia norte-americana criou 248 mil postos de trabalho em setembro, no melhor resultado desde junho – acima da previsão de +215 mil vagas.

Os dados de agosto e de julho foram revisados para cima. Além disso, a taxa de desemprego nos EUA surpreendeu ao cair abaixo da marca de 6% pela primeira vez desde o início da crise financeira, para 5,9%, atingindo o menor nível desde julho de 2008.

Esses números exerceram importante pressão de alta sobre o dólar no exterior e, ainda que momentaneamente, também no Brasil.

Mas os dados acabaram, ao longo do dia, sendo sobrepostos pelos recentes números de pesquisas eleitorais, que trouxeram a leitura predominante de que haverá segundo turno e de que a ex-senadora Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) disputarão voto a voto a vaga para disputar a presidência com Dilma Rousseff (PT).

No começo da tarde, por exemplo, levantamento Sensus indicou que a presidente Dilma tem 37,3% no primeiro turno, Marina soma 22,5% e Aécio, 20,6%.

Como a margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais, Marina e Aécio estão empatados tecnicamente.

Na simulação de segundo turno em que Dilma enfrenta Marina, a candidata à reeleição aparece com 44% e a ex-ministra tem 37,6%. No embate entre Dilma e Aécio, a petista tem 45,8% e o tucano, 36,9%.

Na noite de ontem, pesquisa Datafolha já indicava que Aécio está tecnicamente empatado com Marina, com 24% para a ex-senadora e 21% para o tucano, enquanto Dilma permaneceu com 40% das intenções de voto para a primeira rodada do pleito.

No Ibope, Dilma oscilou em alta e aparece com 40%, Marina, em baixa e ficou com 24%, enquanto Aécio estacionou em 19%.

Por fim, os investidores também trabalham em cima da perspectiva de que o doleiro Alberto Youssef, que acertou sua delação premiada, faça revelações e entregue documentos sobre o suposto esquema de corrupção na Petrobras.

Ele está entregando ao Ministério Público Federal farta documentação para comprovar todas as revelações de sua delação premiada.