Dólar comercial abre em queda de 0,06% a R$ 1,574

São Paulo – O dólar comercial abriu hoje em queda de 0,06%, cotado a R$ 1,574, no mercado interbancário de câmbio. Às 10h06, a moeda norte-americana era negociada em baixa de 0,19%, a R$ 1,572. Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o dólar negociado à vista, no mesmo horário, estava em queda de 0,20%, a R$ 1,5718. O euro comercial, em alta de 0,40%, valia R$ 2,236.

Depois de uma rodada de queda, ontem, em função, principalmente, das palavras do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, que recolocou nas mesas de negócios a possibilidade de um terceiro programa de afrouxamento quantitativo, o dólar opera de lado ante a maioria das moedas na manhã desta quinta-feira. E as primeiras transações do dia no Brasil replicaram o comportamento internacional.

A hesitação explica-se, entre outras coisas, pelo fato de a metralhadora giratória das agência de classificação de risco ter se virado para os Estados Unidos. A agência Moody’s anunciou, ontem no final da tarde, em um comunicado, que colocou em revisão para potencial rebaixamento o rating (classificação de risco) dos EUA. Atualmente, a dívida norte-americana tem grau máximo, mas a agência está alertando para a possibilidade de o limite de endividamento do governo federal dos EUA não ser elevado em tempo hábil e, dessa forma, levar o país a declarar não pagamento (default) em suas obrigações de dívidas. Por isso, um dos focos do dia é, sem dúvidas as discussões sobre o assunto, que continuarão ocorrendo no Congresso dos EUA.

Na China, a agência de classificação de risco Dagong Global Credit Rating replicou a decisão da Moody’s e também colocou a dívida soberana dos EUA em observação negativa, com a possibilidade de rebaixamento. A Dagong informou que pode rebaixar o rating soberano dos EUA se os custos de financiamento da dívida do governo do país continuarem aumentando. A agência chinesa não tem o peso das similares ocidentais, mas o fato merece atenção, principalmente porque está acompanhado por declarações de representantes do governo, que alertaram para que os EUA sejam responsáveis no sentido de proteger o interesse dos investidores no que se refere à dívida soberana do país.

Ainda assim, a reação dos mercados pode ser considerada amena e a explicação para isso é o fato de que ninguém acredita que esse alertas resultem em fatos. “A confiança em que, no final, tudo vai dar certo é muito grande. Afinal, se deixarem estourar lá, o que vai acontecer? Para onde vai o dinheiro?”, questiona um experiente profissional do mercado doméstico, sem apontar resposta.

Internamente, o mercado continua incerto quanto à disposição do governo de adotar novas medidas cambiais.