Dólar comercial abre em baixa de 0,24% a R$ 1,664

Por Cristina Canas

São Paulo – O dólar comercial abriu as negociações desta segunda-feira no mercado interbancário de câmbio em baixa de 0,24%, cotado a R$ 1,664. Muito se falou e nada se fez durante os encontros entre as principais autoridades econômicas globais ocorridos no final de semana, em Washington. Diante disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vão voltar dos EUA com a missão de continuar combatendo, sozinhos, a apreciação do real, já que seguem inabaláveis as percepções de que a China manterá o câmbio controlado e o yuan desvalorizado e os EUA deverão incentivar a sua economia por meio do aumento de liquidez e do enfraquecimento do dólar. E mais, devem aumentar, a partir de agora, as pressões na Europa para evitar também a valorização da moeda única, que ultrapassou US$ 1,40 na semana passada.

Hoje, toda essa problemática tende a ficar em banho-maria, já que aqui a segunda-feira está esvaziada por intercalar o final de semana com o feriado nacional, amanhã, de Nossa Senhora Aparecida, ao mesmo tempo em que nos EUA as comemorações do Dia de Colombo também retiram boa parte dos players dos negócios. A percepção é de que nada vai mudar nesta segunda-feira e o dólar tende a ficar perto da estabilidade, com pequena tendência de queda.

Para os próximos pregões, o mercado doméstico de câmbio deve continuar de olho nas ações do Banco Central e do governo, enquanto mede os efeitos das medidas cambiais da semana passada. Depois do aumento do IOF, de 2% para 4% em aplicações de estrangeiros em renda fixa, o governo dilatou o prazo para adiantamentos de contratos de câmbio (dobrou de 750 dias para 1.500 dias). Mas, mesmo assim, o dólar encerrou o período de 4 a 8 de outubro com perda de 0,66% ante o real.

Alguns especialistas, no entanto, acreditam que a tendência de queda do dólar, daqui para a frente, terá um bom “freio natural”. Eles referem-se ao fluxo que, estimam, será “bem menor”. “Uma hora o fluxo diminui e o dólar vai continuar caindo, mas com repiques de alta”, disse um operador. Setembro, com a capitalização da Petrobras e o recorde de emissões de bônus privados e públicos, ficou para trás. E outubro não está caminhando da melhor forma nesse front.