Dólar fecha a R$ 3,81 e Bolsa perde mais de 1% após Fed

Em julho, moeda dos EUA acumulou queda de 0,61%, enquanto Ibovespa avançou 0,83%, abaixo dos 102 mil pontos

Em dia de forte volatilidade, o dólar e a bolsa brasileira oscilaram em diferentes direções nesta quarta. A volatilidade veio após o banco central norte-americano (Fed) ter sinalizado que o corte de juros pode ser pontual. O órgão cortou as taxas em 0,25 ponto percentual nesta tarde. Foi a primeira redução em mais de uma década nos Estados Unidos.

O dólar, que chegou a recuar mais de 1% frente ao real durante o anúncio, reduziu as perdas e passou a subir por volta das 16h, após a fala do presidente do Fed, Jerome Powell, que lançou um balde de água fria sobre as apostas de novos cortes no futuro. A moeda dos EUA fechou na maior cotação desde o início do mês, negociada a R$ 3,8173, em alta de 0,69%. Na mínima do dia, chegou a operar a R$ 3,7497.

No mês de julho, o dólar terminou em queda de 0,61%. No ano, acumula uma desvalorização de 1,48% frente ao real.

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Logo após o anúncio, a fala do chefe do Fed, Jerome Powell, gerou fortes oscilações nos ativos. O dólar passou a subir com o comentário de que o corte foi um “ajuste de ciclo”, afirma Pablo Spyer, diretor de operações da corretora Mirae Asset. “O dólar sobe com a impressão mais forte dos investidores de que essa fala significa um corte único e não uma mudança de tendência ou fim do ciclo atual”, diz.

“O discurso do Fed cria um cenário de incerteza maior quanto ao futuro”, afirmou à Reuters o analista Ilan Arbetman da Ativa Investimentos, completando que o ambiente político-econômico brasileiro contribui para essa questão.

Ibovespa cai, mas avança 0,83% em julho

Já a bolsa brasileira chegou a reduzir as perdas, mas logo voltou a cair. O Ibovespa caiu 1,09%, aos 101.812 pontos, empurrada pelas perdas da Vale e dos principais bancos e em linha com a baixa nas bolsas americanas.  Na mínima, chegou a 101.776 pontos.

O principal índice de ações da B3 avançou 0,83% no mês de julho, e acumula ganho de 15,8% no ano.

Além da decisão do Fed, hoje também foi dia da formação da Ptax, taxa utilizada para liquidação de dólar futuro e derivativo. “Muitas vezes, o viés da divisa norte-americana no exterior embasa algum viés na manhã da formação (da PTAX), sendo observado hoje um viés marginalmente baixista do dólar contra os principais pares do real”, afirmaram em relatório os analistas da H.Commcor Corretora. 

Decisão sem surpresas

A decisão do Fed veio dentro das expectativas do mercado. O órgão reduziu a taxa referencial do país a uma faixa de 2 a 2,25%, em um passo para estimular a economia norte-americana, que dá sinais de desaceleração. O BC americano também acenou para novos cortes, caso necessário.

Isso não acontecia desde a crise financeira de 2008, quando os bancos centrais reduziram as taxas para perto de zero, um estímulo monetário para salvar a atividade econômica. Desde então, a tendência era de aperto monetário (juros em alta) nos EUA e outros mercados desenvolvidos.

Um cenário de juros mais baixos nos EUA tende a beneficiar mercados emergentes como o Brasil, uma vez que os retornos ficam menos atrativos por lá, incentivando a migração do capital estrangeiro para países com taxas (prêmios de risco) mais elevadas.

Bolsas americanas têm pior queda desde maio

Os índices Dow Jones e S&P 500 sofreram nesta quarta a maior queda diária desde o último dia 31 de maio, empurradas pela fala de Powell. O Dow Jones caiu 1,24%, para 26.861,76 pontos. O S&P 500 perdeu 1,10%, para 2.980.11 pontos. E o Nasdaq Composto recuou 1,19%, para 8.175,42 pontos.

No Brasil, o mercado ainda aguarda a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic no Brasil. A maior parte das apostas dá conta de uma redução de 0,5 ponto percentual.

Expectativa com a Bolsa segue positiva

De acordo com o diretor de produtos da Necton, Rafael Giovani, a queda dos juros reforça um cenário que já é positivo para o fortalecimento da bolsa. É um conjunto de fatores que inclui a expectativa de aprovação das reformas da Previdência e tributária e diversas mudanças estruturais em curso na agenda do governo que inclui ainda as privatizações e desburocratização do ambiente de negócios.

 “Além disso, o estrangeiro ainda não entrou na bolsa brasileira”, diz ele. “Ele está devedor, as saídas [de capital estrangeiro] foram maiores que a entrada, e, em dólares, o Ibovespa ainda está barato.” A projeção do time de economia da Necton é que o Ibovespa encerre 2019 nos 115 mil pontos.

 “Temos tudo para entrar em um ciclo altista na bolsa, como foi no período de 2002 e 2008”, disse Giovani. “Até 2008, qualquer ação que você comprava subia. De 2008 e 2009 para frente, tudo o que você comprava caía. Estamos muito confiantes de que agora entraremos novamente em trajetória de alta”, afirmou.