Dólar abre em alta, cotado a R$ 2,0440

A abertura do câmbio coincidiu com a divulgação do resultado do IPCA-15, que ficou abaixo da mediana das projeções do mercado

São Paulo – O dólar no mercado à vista abriu em alta nesta quarta-feira, 22, cotado a R$ 2,0440 (+0,29%) no balcão, alinhado com a valorização da moeda norte-americana em relação a outras divisas correlacionadas a commodities.

Logo depois, a moeda dos Estados Unidos no balcão desacelerou os ganhos e passou a cair, até uma mínima a R$ 2,0370 (-0,05%). Às 9h36, no entanto, já voltava a subir a R$ 2,0390 (+0,05%).

O ajuste positivo interno inicial reflete a busca de proteção dos investidores antes do depoimento do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, às 11 horas, ao Comitê Econômico Conjunto do Congresso sobre “A Perspectiva Econômica”.

No mercado futuro, às 9h37, o vencimento da moeda norte-americana para junho de 2013 estava em queda, a R$ 2,0425 (-0,17%), após começar a sessão com leve alta, a R$ 2,0465 (+0,02%). Até esse horário, esse contrato oscilou de R$ 2,0410 (-0,24%) a R$ 2,0470 (+0,05%).

A abertura do câmbio coincidiu com a divulgação do resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), que ficou abaixo da mediana das projeções do mercado. O IPCA-15 registrou alta de 0,46% em maio, após subir 0,51% em abril.

O resultado ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que esperavam inflação de 0,42% a 0,53%, com mediana de 0,49%.

Com o resultado anunciado nesta quarta-feira, 22, o IPCA-15 acumula taxas de 3,06% no ano e de 6,46% em 12 meses até maio. O indicador, no entanto, não muda as apostas majoritárias no mercado de juros, de uma aceleração da alta da Selic, para 0,50 ponto porcentual, na reunião do Copom do dia 29 de maio.

No exterior, o dólar opera em alta ante o iene e moedas correlacionadas a commodities no exterior.


A expectativa dos investidores em âmbito global é de que o comandante do Federal Reserve poderá dar algum sinal confirmando ou não as declarações de ontem de duas outras autoridades do Fed, com direito a voto nas decisões de política monetária, sugerindo que o fim do programa de compra de bônus pode não ser iminente.

Também nesta quarta-feira, 22, o Banco Central brasileiro divulga a nota do setor externo de abril, para a qual o mercado projeta um déficit de US$ 6,400 bilhões a US$ 9,000 bilhões, com mediana negativa de US$ 7,300 bilhões.

Em relação ao Investimento Estrangeiro Direto (IED), as projeções são de US$ 4,700 bilhões a US$ 5,800 bilhões, com mediana de US$ 5,000 Bilhões. Já os dados parciais de fluxo cambial até o dia 17, sexta-feira passada, serão informados às 12h30.

Na terça-feira, 21, a fala no Congresso do presidente do Banco Central brasileiro, Alexandre Tombini, reforçou a impressão entre os agentes financeiros de que a autoridade monetária agirá com a devida “tempestividade” para que a queda da inflação continue no segundo semestre de 2013 e em 2014.

Tombini repetiu o mesmo discurso feito no Seminário de Metas de Inflação, na semana passada, o que intensifica o sentimento dos investidores de que o ritmo de aperto monetário pode ser ampliado.

O chairman do BC brasileiro também falou sobre câmbio, gerando expectativas de que poderá voltar a intervir com oferta de moeda no mercado futuro, se os agentes financeiros forçarem uma volatilidade acentuada do dólar, sem sustentação por exemplo no desempenho externo da moeda norte-americana.


Segundo Tombini, o BC não tem posição vendida nem comprada em swap cambial. “Isso não significa que esses instrumentos foram abolidos. É um instrumento que tem se mostrado importante para reduzir a volatilidade e corrigir as distorções no mercado cambial”, acrescentou.

A autoridade afirmou ainda que a taxa de câmbio “se moveu” do começo do ano passado para cá e que não há indicações para onde o câmbio vai. No entanto, segundo ele, o que interessa para competição é o câmbio real e não o nominal, que pode ser neutralizado pela inflação. “Não adianta desvalorização acompanhada por inflação”, disse.

O mercado à vista já estava no fim da sessão, ontem, quando virou para o lado negativo. O dólar no balcão encerrou com leve queda, a R$ 2,0380 (-0,05%) – interrompendo uma sequência de cinco altas ante o real acumuladas em 1,44%. No mercado futuro, que também operava em queda, o dólar para junho de 2013 virou para o terreno positivo após as declarações de Tombini e terminou a R$ 2,0460 (+0,05%).

Em Nova York, às 9h40, o dólar exibia ganhos diante do dólar australiano (+0,55%), do dólar canadense (+0,54%, do peso chileno (+0,14%), da rupia indiana (+0,24%) e do dólar neozelandês (+0,53%). Já o euro estava em US$ 1,2927, de US$ 1,2907 no fim da tarde de ontem, enquanto o dólar era cotado a 102,04 ienes, de 102,50 ienes na véspera.