Dívida da Embraer supera a da Boeing e Airbus com maior demanda

Fabricante dos aviões executivos Legacy e dos jatos regionais E-190, a empresa está aproveitando a crescente demanda por voos de curta distância na Ásia e África

Nova York e São Paulo – A Embraer SA, quarta maior fabricante mundial de aviões, está superando Boeing Co., Airbus SAS e Bombardier Inc. no mercado internacional de renda fixa, graças à maior demanda pelos jatos de consumo mais eficiente produzidos pela brasileira.

Os títulos da Embraer denominados em dólar e com vencimento em 2017 se valorizaram 8,64 por cento neste ano, comparado a ganho de 4,5 por cento dos títulos de prazo similar da Boeing, de 8,11 por cento para os da Bombardier e de 1,16 por cento para os da Airbus, denominados em euros.

A Embraer, fabricante dos aviões executivos Legacy e dos jatos regionais E-190, está aproveitando a crescente demanda por voos de curta distância na Ásia e África, à medida que a expansão econômica em países em desenvolvimento supera as taxas dos Estados Unidos e da Europa. No mês passado, durante o Salão Aeroespacial de Paris, a empresa sediada em São Jose dos Campos anunciou encomendas e pedidos firmes de companhias aéreas como a PT Sriwijaya Air da Indonésia, a Kenya Airways Ltd., a Air Astana do Cazaquistão e a GE Capital Aviation Services.

“O histórico da Embraer tem sido bastante bom, particularmente quando se compara com o desempenho da Bombardier no segmento de jatos regionais”, disse Brian Studioso, analista da área aeroespacial e de defesa da CreditSights Inc., em entrevista por telefone de Londres. “Eles estão bem posicionados competitivamente.”

O rendimento dos títulos da Embraer com vencimento em 2017 recuou 122 pontos-base, ou 1,22 ponto percentual, neste ano, chegando a 4,3 por cento. Essa é a menor taxa desde a emissão, em março de 2007, segundo dados compilados pela Bloomberg, e faz dele o quarto melhor em desempenho neste ano entre papéis em dólar de empresas brasileiras. Já o rendimento da dívida da Bombardier com vencimento em 2018 caiu 104 pontos-base, para 5,13 por cento. As notas da Embraer pagam 164 pontos-base a mais do que dívida do governo brasileiro de prazo similar, comparado a uma diferença de 202 pontos em janeiro.


Milésimo pedido

No mês passado, a Embraer recebeu o milésimo pedido para a família E-Jets de jatos regionais, que fez seu primeiro voo em 2002 com tecnologia mais moderna que a dos aviões da família CRJ-700, da Bombardier, que voaram pela primeira vez em 1999. A concorrente sediada em Montreal recebeu 654 encomendas para essa linha e 90 pedidos para as aeronaves maiores da série C, que ainda está em desenvolvimento. Os aviões da Embraer podem ser configurados para até 122 assentos, enquanto os atuais jatos da Bombardier acomodam até 104 passageiros. Boeing e Airbus são focadas em aeronaves maiores, capazes de voos de longa distância.

Os 39 pedidos que a Embraer recebeu no Salão Aeroespacial de Paris, o maior encontro do setor, se somam aos 44 do primeiro trimestre. Em todo o ano passado, foram 97 encomendas e 23 em 2009, segundo dados da empresa. O total de pedidos do segundo trimestre ainda não foi divulgado.

“A Embraer tem histórico muito confiável de cumprir seus compromissos e também um balanço patrimonial forte, com posição de caixa sólida”, disse o presidente da companhia, Frederico Curado, em e-mail enviado em resposta a perguntas da reportagem. “Isso, juntamente com sua perspectiva positiva de longo prazo, dá aos investidores um alto grau de confiança.”

Ambiente competitivo

A crescente concorrência com fabricantes da Rússia, China e Japão representa o maior risco ao perfil de crédito da Embraer, disse Russell Solomon, analista da Moody’s Investors Service em Nova York. A empresa tem classificação de risco Baa3 pela Moody’s, o menor patamar na escala de grau de investimento. A Commercial Aircraft Corp. da China, a Sukhoi Civil Aircraft Co. da Rússia e a japonesa Mitsubishi Aircraft Corp. querem uma fatia do mercado de jatos regionais.

“Todo mundo vai atrás dos mesmos mercados”, disse Solomon. “O ambiente competitivo e a mudança que está ocorrendo com a entrada de novos participantes no mercado são os principais desafios.”

A Bombardier está desenvolvendo a série C, que deve decolar em 2013, para concorrer com os 737 da Boeing Co. e com a família A320 da Airbus, todas aeronaves de fuselagem estreita e corredor único com capacidade a partir de 100 assentos. A Embraer disse que vai aguardar o próximo passo da Boeing no mercado de jatos de fuselagem estreita antes de decidir se vai desenvolver um novo avião.