Juros futuros atingem o menor patamar histórico após mudanças na poupança

O mercado não tem mais dúvidas de que o Copom, no fim deste mês, continuará reduzindo a taxa básica de juros

São Paulo – Com as alterações na remuneração da poupança oficializadas, o mercado não tem mais dúvidas de que o Comitê de Política Econômica (Copom), no fim deste mês, continuará reduzindo a Selic, atualmente em 9,00% ao ano.

No “dia seguinte” às mudanças, as taxas dos contratos futuros de juros desabaram em toda a curva a termo, nos vencimentos curtos e longos, em um sinal de que o mercado espera a Selic em um novo patamar mínimo. No início da tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a afirmar que a inflação no Brasil está comportada e a citar um “processo salutar de queda de juros”.

Abaixo de 8%

Ao término da negociação normal na BM&F, a taxa do contrato futuro de DI com vencimento em janeiro de 2013 (502.945 contratos) marcava 7,97%, ante 8,11% do ajuste de quinta-feira.

Já o DI para janeiro de 2014 (567.565 contratos) tinha taxa de 8,28%, de 8,51% do ajuste anterior. Na ponta mais longa, a taxa do contrato futuro de juros para janeiro de 2017 (111.015 contratos) estava em 9,55%, ante 9,86% do ajuste. Já o DI para janeiro de 2021 (15.575 contratos) marcava 10,12%, ante ajuste de 10,44%.

“A mudança na poupança fortalece a ideia de que a redução da Selic virá em breve, mais breve do que o esperado. O fato de o governo já ter resolvido a questão da poupança, que muita gente achava que não seria abordada agora, justifica a queda de hoje das taxas dos DIs”, resumiu um operador ouvido à tarde pela Agência Estado.

Novas regras

Pelas novas regras da poupança, quando a Selic atingir o nível de 8,50%, a remuneração da caderneta será o equivalente a 70% da taxa básica, mais a taxa referencial (TR). Acima de 8,50%, vale a remuneração atual, de 0,50% ao mês mais a TR. As mudanças, que valem apenas para novos depósitos, abriram espaço para quedas maiores da Selic, sem que haja migração em massa de recursos para a poupança.

À tarde, Mantega também falou sobre as alterações na poupança, argumentando que a caderneta era um impeditivo para uma queda mais pronunciada dos juros. E ressaltou que a Selic só continuará caindo se as condições da inflação no Brasil permitirem. No entanto, se o otimismo do ministro for considerado, visto que ele afirmou que a inflação está sob controle e caminha para o centro da meta (4,5%), novos cortes da taxa básica podem ser esperados.

Mantega também disse que o governo vai cumprir a meta cheia do superávit primário neste ano, que é de R$ 139,8 bilhões.

No exterior, algumas notícias de hoje serviram como motivo adicional para a devolução de prêmios nas taxas futuras. A economia dos EUA, por exemplo, criou 115 mil empregos em abril, abaixo da expectativa de 168 mil vagas. Na Europa, mais um dado mostrou que a economia segue fraca. A atividade do setor privado na zona do euro declinou em um ritmo mais rápido do que o esperado em abril. O PMI composto caiu para 46,7 em abril, de 49,1 em março. Uma leitura abaixo de 50 indica que a atividade está em contração. A expectativa de economistas era de que o índice ficasse em 47,4.