Decisão sobre juros no Brasil e na Europa centra as atenções

Temores relacionados à Grécia devem se dissipar, projetando uma semana mais tranquila nos mercados; EUA ainda preocupam

São Paulo – A semana compreendida entre os dias 6 e 10 de junho promete trazer mais tranquilidade aos mercados, apesar de contar com a divulgação de indicadores importantes. O grande destaque vai para a decisão do Banco Central (BC) sobre a taxa básica de juros (Selic) no Brasil, além da definição sobre os rumos da política monetária no Reino Unido e na Zona do Euro.

O acordo firmado na última sexta-feira (3) entre o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para que a Grécia receba um pacote de ajuda de 110 bilhões de euros nos próximos três anos deve dissipar os temores relacionados à crise de dívida pública na Europa, mesmo apesar da agência de classificação de risco Moody’s ter rebaixado os ratings de depósito e de dívida sênior de oito bancos do país europeu.

A preocupação com o desempenho da economia dos Estados Unidos também permanece. Os dados abaixo da expectativa sobre o mercado de trabalho americano, publicados na última semana, elevou os temores de desaquecimento na maior economia do mundo, provocando a queda dos índices de Wall Street na sexta-feira.

Apesar disso, o Ibovespa – principal índice de ações do mercado brasileiro – se descolou da cena externa e fechou o último pregão em terreno positivo, beneficiado pelo avanço da economia brasileira no primeiro trimestre, o que serviu de chamariz para os investidores irem às compras. O Ibovespa terminou a última sessão aos 64.340 pontos, acumulando ligeira alta na semana de 0,07%. No mês, a desvalorização é de 0,43% e, no ano, a queda é de 7,16%. Contudo, em 12 meses, o principal índice brasileiro contabiliza ganho de 2,22%.

“Recomendamos cautela aos investidores, devido às incertezas que insistem em continuar sobre o cenário externo, dando tom negativo aos mercados. Esperamos uma semana volátil sem grandes perspectivas de alta para o Ibovespa”, opina a equipe de pesquisa da Coinvalores, liderada pelo analista Marco Aurélio Barbosa. No calendário corporativo, não está prevista a divulgação de balanços no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa que possam ter impacto sobre os mercados.

Brasil: decisão do Copom é destaque na semana

Na agenda doméstica, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decide na quarta-feira (8) sobre o futuro da Selic, atualmente fixada em 12% ao ano. A expectativa da equipe de pesquisa do Banco Fator, liderada pela analista Lika Takahashi, é de que a autoridade monetária deve elevar o juro em 0,25 ponto percentual, para 12,25% ao ano. “Essa alta deve ocorrer de acordo com a estratégia gradualista apontada na ata da reunião mais recente”, acredita o Banco Fator.

Ainda na cena interna, o mercado acompanha na segunda-feira (6) a divulgação do Relatório Focus do BC. Na terça-feira (7), a Fundação Getúlio Vargas divulga o IGP-DI. Na quinta-feira (9), o mercado reage à decisão do Copom e toma nota pela manhã do resultado do IPC-Fipe e do IGP-M, ambos referentes a primeira quadrissemana de junho. Já o IBGE divulgará na sexta-feira (10) a pesquisa mensal do comércio e a pesquisa mensal de emprego e salário industrial.

No cenário político, a presidente da República, Dilma Rousseff, vai ouvir a opinião de seu antecessor Lula e de outros aliados antes de decidir o futuro do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo. O ex-presidente chegou ao Brasil na sexta-feira depois de uma viagem à Cuba e à Venezuela. Lula e Dilma devem conversar ainda neste final de semana para avaliar se é melhor que Palocci continue ou deixe o cargo.

EUA: Livro Bege e discurso do presidente do Federal Reserve

Na maior economia do mundo, o mercado acompanha o discurso do presidente do Fed, Ben Bernanke, na terça-feira, às 16h45. Mas é a publicação do Livro Bege na quarta-feira que tende a ser a principal indicação econômica da semana. O documento revela como está o desempenho atual da economia dos Estados Unidos.

Europa: definição de juros no Reino Unido e na Zona do Euro

“Os dados mais recentes de atividade nestes países estão apontando para uma desaceleração econômica. A inflação por lá, apesar de ainda preocupar e estar em cima da meta, chegou a diminuir no caso da Zona do Euro na prévia de maio (de 2,8% em abril para 2,7% no mês passado, na comparação anual). Isso pode reduzir a pressão (vista no início do ano) para que os banco centrais do Velho Continente elevem o juros imediatamente”, avalia o Banco Fator.

A definição sobre a taxa básica de juros no Reino Unido e na Zona do Euro sai na quinta-feira. Antes disso, na terça-feira, o presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, discursa às 13 horas, em Montreal (Canadá), sobre o atual desempenho da economia europeia.