Dados dos EUA pesam e Ibovespa tem 1ª queda em 6 pregões

O Ibovespa recuou 1,75 por cento, a 55.394 pontos

São Paulo – O principal índice da Bovespa teve sua primeira queda em seis pregões nesta sexta-feira, após fracos dados de emprego nos Estados Unidos renovarem as preocupações com o ritmo de recuperação da maior economia do mundo.

O Ibovespa recuou 1,75 por cento, a 55.394 pontos.

Na mínima do dia, o índice chegou a cair 2,5 por cento, a 54.967 pontos. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 1,91 por cento.

O giro financeiro foi de 4,96 bilhões de reais, abaixo da média diária do ano, de 7,35 bilhões de reais.

“O quadro ruim no exterior pesou na bolsa, com o payroll dos Estados Unidos um pouco abaixo da expectativa, além do movimento de realização de lucro após as altas recentes do Ibovespa”, disse o analista Aloisio Villeth Lemos, da Ágora Corretora.

O Departamento do Trabalho dos EUA informou nesta sexta-feira que foram criadas apenas 80 mil empregos fora do setor agrícola em junho, abaixo da previsão de 90 mil.

O dado reforçou os temores sobre a lenta recuperação da economia norte-americana, aumentando também a pressão para que o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) adote novas medidas de estímulo monetário.


Em Wall Street, o índice Dow Jones recuou 0,96 por cento, enquanto o principal índice das bolsas europeias teve queda de 1,02 por cento.

Na bolsa paulista, o feriado em São Paulo na segunda-feira também ajudou a afugentar investidores, segundo operadores.

A preferencial da Vale recuou 1,53 por cento, a 39,88 reais, e a da Petrobras caiu 2,04 por cento, a 19,20 reais. OGX, do bilionário Eike Batista, teve queda de 0,49 por cento, a 6,10 reais.

B2W, que subiu 27 por cento nos cinco pregões anteriores, caiu 6,23 por cento nesta sexta-feira, a 6,62 reais, e foi o destaque de baixa do Ibovespa.

Só dez ações do índice subiram, lideradas por Vanguarda Agro , com alta de 2,78 por cento, a 0,37 real.

Na semana que vem, as atenções do mercado se voltam para a ata do Comitê de Mercado Aberto do Fed na quarta-feira, que deve sinalizar a chance de novo estímulo à economia dos EUA. O PIB da China e a produção industrial na zona do euro na quinta-feira também devem repercutir nos mercados.

Na cena doméstica, o destaque é a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) sobre a taxa básica de juros, a Selic, com analistas aguardando novo corte de 0,5 ponto percentual, para a nova mínima histórica de 8 por cento ao ano.

“O cenário ainda é bem delicado”, afirmou o operador Sandro Fernandes, da Geraldo Corrêa Corretora. “Qualquer notícia um pouco mais negativa é suficiente para fazer o mercado devolver ganhos. Ainda não vemos um movimento firme para a bolsa na próxima semana, o mercado continua operando no intraday.” (Edição de Roberta Vilas Boas)