Crise na Líbia leva petróleo a US$ 93,40 o barril em NY

Por Cynthia Decloedt

Londres – Os contratos futuros de petróleo continuam a subir no mercado internacional, com os investidores embutindo nos preços uma possível interrupção no abastecimento de petróleo pela Líbia. O chefe da Divisão da Indústria de Petróleo e de Mercado da Agência Internacional de Energia, David Fyfe, disse ontem que cerca de 50 mil barris da produção diária de petróleo da Líbia foi interrompida.

“O mercado está muito, muito agitado no momento e operando a partir do Oriente Médio e do norte da África”, disse o vice-presidente da área de commodities do VTB Capital, Andrey Kryuchenkov. Os preços têm avançado com maior velocidade em resposta aos protestos na Líbia, que exporta cerca de 1,6 milhão de barris por dia. Na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), o petróleo WTI subiu 10,4% na semana passada, atingindo a maior cotação desde outubro de 2008.

Às 8h50 de hoje (horário de Brasília), o contrato futuro do WTI com vencimento em março, que vence hoje, subia 8,35%, para US$ 93,40 o barril. Já o contrato futuro de petróleo com vencimento em abril subia 7,59%, para US$ 96,52 o barril. O contrato do petróleo tipo Brent, negociado na plataforma ICE de Londres, avançava 1,18%, para US$ 107,00 o barril.

“O mercado está apertado e, por isso, pequenas quedas na oferta podem provocar um salto no preço”, disse o chefe da Agência Internacional de Energia, Nabuo Tanaka, em entrevista de hoje durante um encontro de ministros do petróleo em Riad, na Arábia Saudita. Tanaka reiterou que a Opep proverá petróleo caso haja uma grave interrupção na oferta da Líbia.

A Líbia, membro da Opep, entregou diariamente 1,6 milhão de petróleo em janeiro, segundo cálculos da Dow Jones Newswire. Atualmente, a produção do país é equivalente a 1,7% do total mundial. A Líbia tem cerca de 46,43 bilhões de barris de petróleo em reservas, a maior da África. O petróleo da Líbia é vendido principalmente para a Europa. Dados oficiais de 2009 mostravam que a Itália era o maior comprador, seguido por Alemanha, França e Espanha. A China também compra petróleo da Líbia. As informações são da Dow Jones.