Credit Suisse sobe previsão de IPOs no Brasil a até US$15 bi

Os preços baixos têm atraído os investidores de volta ao mercado de capitais brasileiro, o que deve fazer as IPOs movimentarem de 12 bi a 15 bi de dólares em 2013

São Paulo – Os preços baixos têm atraído os investidores de volta ao mercado de capitais brasileiro, o que deve fazer as ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) movimentarem de 12 bilhões a 15 bilhões de dólares em 2013, disse nesta segunda-feira o presidente do Credit Suisse no país, José Olympio Pereira.

O valor representa um avanço sobre a estimativa anterior do banco, de 8 bilhões a 10 bilhões de dólares, e é pelo menos 6 vezes superior aos pouco mais de 2 bilhões de dólares movimentados pelo mercado doméstico de IPOs em 2012.

“O Brasil ficou para trás e agora o investidor está olhando oportunidades, porque ficou barato”, disse Olympio em entrevista durante o Reuters Latin American Investment Summit. “O preço começou a compensar as incertezas.”

No ano, até maio, empresas levantaram 14,9 bilhões de reais (7,3 bilhões de dólares) em IPOs no Brasil. Escaldados por uma série de acordos que não conseguiram cumprir os retornos prometidos, investidores têm sido cautelosos com ofertas de ações no país. Em 2012, a atividade de IPO do Brasil foi a mais lenta em sete anos.

Os estrangeiros absorveram mais de três quartos dos IPOs brasileiros entre 2006 e 2008, mas essa fatia caiu para uma média de 45 % no ano passado, segundo dados da Thomson Reuters. O Credit Suisse ajudou a coordenar três dos cinco IPOs no Brasil em 2013 até agora.

Para o executivo do Credit Suisse, no entanto, a melhora no mercado acionário é limitada pela percepção da comunidade internacional de que há uma grande intervenção estatal em vários setores da economia, tais como energia elétrica, petróleo e mineração.

Segundo Olympio, o esforço do governo federal para reformar o aparato regulatório é positivo, pois visa melhorar a infraestrutura e baixar custos, mas o mercado é sensível a essas iniciativas, que podem ser mal interpretadas.

“O governo quer acertar, mas não foi muito feliz na comunicação”, disse ele.

Por isso, o mercado está aberto, mas seletivo. Nesse contexto, setores menos dependentes de regulação, como educação e consumo, têm apresentado múltiplos melhores.


A combinação de reaquecimento do mercado acionário e de juros perto das mínimas históricas no país têm elevado o interesse das empresas pelo mercado de renda variável como meio de captar recursos, disse Olympio.

O uso de mecanismos para limitar os riscos para o investidor, como a empregada no IPO da Smiles, que teve uma participação forte da empresa de private equity General Atlantic, tende a se tornar mais frequente, segundo o executivo.

México excepcional

Para Olympio, o México vive uma situação semelhante à vivida pelo Brasil no período de 2005 a 2007, com um desempenho excepcional, e deve seguir como um destaque no mercado de capitais latino-americano, seguido por Colômbia e Peru.

Mesmo enxergando oportunidades no Brasil e na América Latina, o banco não deve seguir o exemplo de concorrentes globais, que têm empregado mais capital para investir em empresas e aumentado suas equipes.

“Temos hoje capital mais que suficiente para nossas atividades no Brasil”, disse Olympio, mencionando o patrimônio superior a 2 bilhões de dólares no país. “Se amanhã for necessário, não teremos problemas em conseguir apoio da matriz.” Além disso, o Credit Suisse quer se concentrar na prestação de serviços.

Nesse sentido, o investimento direto em empresas poderia criar situações de conflito de interesse com clientes, disse o executivo.

Para Olympio, um dos produtos com maior potencial de crescimento do país são os fundos de crédito, que devem deslanchar em meio ao cenário de juros baixos, assim como as debêntures de infraestrutura.

“O mercado recebeu por muitos anos o maná do céu e isso acabou”, disse, referindo-se à menor rentabilidade dos fundos de renda fixa, o que deve levar os investidores a procurarem maior diversificação de portfólio.