Corretoras apontam alta para ações da Brasil Telecom

Negociações com a Oi devem valorizar os papéis, mas o risco é considerável

A confirmação de que as negociações para aquisição da Brasil Telecom pela Oi (ex-Telemar) estão avançando fez com que as corretoras reforçassem suas recomendações de compra das ações de ambas as empresas. Para a Brascan Corretora, os papéis da Brasil Telecom apresentam potencial de valorização maior que os da Telemar, já que a companhia sofreu grande desconto nos últimos meses. “A operadora está sendo negociada muito abaixo das suas concorrentes internacionais e acreditamos que a união com a Telemar poderá gerar ganho de escala, redução de custos, eficiência administrativa e redução da competição em alguns segmentos. Isso tudo tende a elevar o valor das ações na Bolsa”, diz a analista Beatriz Battelli.

As ações preferenciais da Brasil Telecom Participações (BRTP4) são as mais indicadas pela Brascan, que prevê potencial de valorização de 34,6% para os papéis até o final do ano, chegando à cotação de 32,03 reais. Nesta sexta-feira (8/2), as ações fecharam a 23,80 reais na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).  A corretora, no entanto, vê boa oportunidade também nas ações preferenciais da Brasil Telecom S.A (BRTO4), que estariam com um desconto muito elevado em relação às ações da holding. Segundo estimativas, o papel deve subir a 26,53 reais até dezembro, o que representa um potencial de alta de 54,6%.

Já a Ativa Corretora considera as ações ordinárias da Brasil Telecom Participações (BRTP3) melhor escolha. “Num momento em que a Bolsa encontra-se extremamente volátil, as ações ordinárias da Brasil Telecom oferecem uma possibilidade de ganho quase certa, dado o tag along (direito de receber um percentual do valor pago aos acionistas controladores) de 80% para os minoritários”, diz a analista Luciana Leocadio.

Nesta quinta-feira (7/2), a Telemar Participações, controladora da Oi, divulgou comunicado informando que deverá pagar entre 4,5 bilhões de reais e 5,2 bilhões de reais pelo controle acionário da Brasil Telecom. Isso significa que deverá ser oferecido entre 65,83 reais e 76,07 reais por ação do controle e entre 52,67 reais e 60,86 reais por ação dos minoritários. Neste caso, o tag along  funciona como uma espécie de trava de baixa, reduzindo muito as chances de que a ação caia além do piso de 52,67 reais.  “Mas, se cair, é hora de comprar, pois a oferta da Telemar dificilmente será inferior a esse valor”, diz Luciana.

Por outro lado, se a ação ultrapassar o teto de 60,86 reais, será o momento de quem está com os papéis na mão vender e embolsar o lucro. No pregão desta sexta-feira, as ações oscilaram entre a máxima de 52,97 reais e a mínima de 51,40 reais, fechando cotadas a 52,65 reais, com valorização de 1,25%.

A estratégia para os papéis da Brasil Telecom, portanto, é de curto prazo. Para quem planeja um investimento a prazo mais longo, as ações da Telemar são opção. “Elas têm boas perspectivas devido à reestruturação societária da companhia”, afirma Luciana. A Ativa prevê um potencial de valorização de 30,4% para as ações ordinárias (TNLP3), que apresentam preço-alvo de 90 reais. Na Bovespa, o papel fechou cotado nesta sexta-feira a 69,00 reais.

Negócio de risco

Por natureza, operações no mercado acionário já envolvem riscos. E se o negócio incluir mudança de controle acionário e alteração na legislação vigente, os riscos tendem a ser muito maiores.

Ao que tudo indica, a Oi deve realizar a oferta para compra do controle acionário da Brasil Telecom nos próximos dias. Para que o negócio seja fechado, no entanto, é necessário que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assine um decreto que autorize a operação, uma vez que pela legislação vigente é proibida a fusão de empresas de telefonia fixa de regiões diferentes do país.

“A probabilidade de o negócio não sair é muito pequena, mas existe. Se isso acontecer, é perda na certa”, afirma Luciana.