Coreia do Sul proíbe vendas a descoberto após pânico nas bolsas

Medidas foram classificadas como necessárias para conter a instabilidade na bolsa de Seul

São Paulo – A Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul (FSC, na sigla em inglês) proibiu nesta terça-feira (9) a venda de valores a descoberto e ampliou o limite para recompra de ações por parte das companhias listadas na Bolsa de Seul. As medidas foram tomadas para conter a volatilidade no mercado local e entram em vigor amanhã (10).

Segundo o órgão regulador, as vendas a descoberto, denominadas em inglês como “short-selling”, estão afetando a estabilidade no mercado financeiro sul-coreano, principalmente após a agência de classificação de risco Standard & Poor’s rebaixar o rating dos Estados Unidos de AAA para AA+ na última sexta-feira (5).

De acordo com a autoridade, as vendas a descoberto atingiram recorde em 3 de agosto, totalizando 432,8 bilhões de wons (ou 399,8 milhões de dólares), lideradas por investidores institucionais e estrangeiros. A cifra é bem maior que o total de apenas 160,8 bilhões de wons vistos no acumulado do primeiro semestre.

Em comunicado, a FSC acrescentou ainda que o limite estabelecido para que as companhias recomprem suas próprias ações poderá ser elevado “caso seja necessário”, tudo para evitar as fortes baixas na sessão.

As medidas anunciadas hoje pela autoridade sul-coreana ocorrem após o índice Kospi, principal referência da Bolsa de Seul, ter caído 17% desde 1º de agosto. Hoje, o indicador fechou a sessão com baixa de 3,64%, aos 1.801,35 pontos, alcançando o pior nível já visto desde 9 de setembro de 2010, mesmo após derreter até 9,9% no decorrer do pregão.