CONSOLIDA-Mercado quer propostas no 2o turno; mundo dita cautela

  • Analistas veem 2o turno como chance de mais debates

  • Mercado quer detalhes sobre programas econômicos

  • Para maioria, eventual medida sobre câmbio deve esperar

  • Dia é mais influenciado por cenário externo cauteloso

    SÃO PAULO, 4 de outubro (Reuters) – Os mercados brasileiros
    reagiam sem solavancos à confirmação de um segundo turno na
    eleição presidencial e, para alguns analistas, o adiamento do
    resultado pode ser até uma chance para que os candidatos
    apresentem com mais clareza suas propostas econômicas.

    Enquanto discutiam as perspectivas para as próximas
    semanas, investidores eram mais influenciados nesta
    segunda-feira pelo tom volátil dos pregões internacionais.
    Influenciavam os negócios as dúvidas sobre a recuperação da
    atividade global e perspectivas de que o Federal Reserve tenha
    que agir para estimular mais a retomada.

    Às 10h46, o dólar subia 0,24 por cento, para 1,685
    real, depois da queda recente que o colocou nos menores
    patamares desde 2008, antes da piora da crise global com a
    quebra do Lehman Brothers. O movimento estava alinhado ao do
    exterior, em que a moeda norte-americana ganhava terreno frente
    a uma cesta com as principais divisas .

    O principal índice da Bovespa ganhava 0,32 por
    cento, a 70.451 pontos, enquanto as projeções de juros locais
    recuavam após o relatório Focus reduzir mais uma vez
    a estimativa de inflação em 2011 [ID:nN0489235].

    “Os mercados brasileiros devem considerar o resultado da
    votação como positivo, já que (Dilma) Rousseff e (José) Serra
    terão que detalhar mais suas agendas econômicas, dando aos
    eleitores –e aos investidores– mais informações sobre seus
    planos”, avaliou o RBC Capital Markets em relatório.

    “Embora a expectativa seja de que ambos prometam
    continuidade do atual programa econômico do presidente Lula,
    algumas diferenças nas áreas de política fiscal e no tamanho do
    Estado devem ser monitoradas.”

    O economista sênior do Goldman Sachs, Paulo Leme, também
    comentou em relatório que o segundo turno “dará aos eleitores e
    observadores mais dias para analisar as propostas” dos dois
    candidatos. O segundo turno ocorre em 31 de outubro.

    MAIS TEMPO PARA O CÂMBIO

    A maioria dos analistas também considera que o segundo
    turno irá postergar possíveis medidas mais contundentes do
    governo para brecar a recente valorização do real.

    Nos últimos dias havia crescido a expectativa de que,
    passada a eleição presidencial, a equipe econômica poderia
    adotar ações como aumento do IOF sobre alguns investimentos
    estrangeiros.

    “Havia certa expectativa de que o governo, logo após as
    eleições no primeiro turno, poderia tomar uma medida um pouco
    mais forte em relação ao câmbio. Com a postergação da decisão,
    é evidente que o governo tende a ser mais cauteloso”, disse
    Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Safra de
    Investimento.

    “Essa campanha do segundo turno é interessante. Ambos os
    candidatos terão que ser mais explícitos em seus programas de
    governo, e também no campo econômico. O debate que não ocorreu
    no primeiro turno vai ter que haver no segundo.”

(Por Daniela Machado, com reportagem de Vanessa Stelzer e
Silvio Cascione; Edição de Aluísio Alves)