Conheça as ações campeãs de rentabilidade em 2007

Vinte e um papéis tiveram desempenho acima do Ibovespa neste ano. Descubra quais são e o que fez com que eles se destacassem

As turbulências que agitaram o mercado acionário neste ano não impediram que o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) registrasse recorde atrás de recorde, conferindo aos investidores ganhos de 47% até outubro. Alguns papéis foram ainda além, chegando a subir até 121% nos dez primeiros meses de 2007.

O Portal EXAME consultou analistas de sete corretoras para avaliar quais fatores permitiram a essas ações obter um desempenho acima do Ibovespa e o que esperar para os próximos meses.

CSN (CSNA3)
Setor:
siderurgia
Valorização em 2007: 121,36%
A empresa já é vista pelo mercado não apenas como uma siderúrgica, mas também como uma mineradora com grande potencial de crescimento, principalmente em função da forte demanda da China. Fornecedora de matéria-prima para as indústrias de eletrodomésticos e automobilística, a CSN também se beneficiou fortemente da melhora do consumo interno, e as perspectivas para os próximos meses continuam positivas.

Bradespar (BRAP4)
Setor:
holdings
Valorização em 2007: 118,54%
Por se tratar de uma empresa de investimentos, seus resultados estão fortemente atrelados aos das companhias na qual investe – no caso, Vale do Rio Doce e CPFL Energia. Como mais de 80% dos investimentos da Bradespar estão na Vale do Rio Doce, o desempenho da companhia reflete os resultados da Vale.

Vale do Rio Doce (VALE3 e VALE5)
Setor:
mineração
Valorização em 2007: VALE3 – 107,2% / VALE5 – 105,5%
Fornecedora de um terço do minério de ferro consumido no planeta, a Vale deve continuar registrando aumento em sua produção, impulsionada pela China e pela Índia. Além disso, é esperado para 2008 um reajuste de 30% no preço da commodity. As últimas aquisições também contribuíram para a valorização dos papéis, uma vez que garantiram à empresa maior poder de negociação e um portfólio diversificado de produtos.

Duratex (DURA4)
Setor:
materiais de construção
Valorização em 2007: 79,07%
Fabricante de produtos de madeira, loucas e metais sanitários, a empresa está sendo impulsionada pelo forte crescimento da construção civil no país. Os analistas dizem que 2008 pode ser um dos melhores anos para o setor de acabamentos, já que muitos dos edifícios iniciados neste ano estarão em fase de acabamento no ano que vem.

Usiminas (USIM5)
Setor:
siderurgia
Valorização em 2007: 77,76%
Maior produtora de aços planos da América Latina, a empresa vem se beneficiando do aumento nas vendas de automóveis e eletrodomésticos, fruto do aquecimento da economia. Apresenta, ainda, um plano de expansão que conquistou a simpatia dos investidores.

Lojas Americanas (LAME4)
Setor:
varejo
Valorização em 2007: 70,81%
A melhora nas condições de emprego e renda da população, aliada à queda dos juros, impulsionaram as vendas, que devem continuar crescendo nos próximos meses. A fusão com o Submarino e a compra da rede de videolocadoras Blockbuster também são vistas como pontos positivos para a empresa.

Sadia (SDIA4) e Perdigão (PRGA3)
Setor:
alimentos
Valorização em 2007: SDIA4 69,44% / PRGA3 57,73%
2006 foi um dos piores anos para o setor de carnes, devido ao surto de gripe aviária na Ásia e na Europa. Em 2007, o mercado começou a se recuperar e a perspectiva para o setor é positiva para o próximo ano. A tentativa de compra da Perdigão pela Sadia e a recente aquisição da Eleva pela Perdigão criou a expectativa de uma onda de fusões e aquisições no setor.

Cyrela Brazil Realty (CYRE3)
Setor:
construção
Valorização em 2007: 68,07%
O aumento na renda da população, a queda nos juros e a melhora nas condições de financiamento imobiliário formaram o cenário perfeito para os negócios da empresa, que tem como foco de atuação imóveis residenciais. Com um déficit habitacional de mais de 7 milhões de moradias no país, as perspectivas para o setor continuam positivas para 2008.

Brasil Telecom (BRTO4 e BRTP3)
Setor:
telecomunicações
Valorização em 2007: BRTO4 – 65,95% / BRTP3 – 51,17%
O setor de telecomunicações vem passando por uma fase de consolidação nos últimos meses e os papéis da companhia têm se valorizado conforme crescem as expectativas de fusão ou aquisição por uma concorrente. Os resultados positivos da nova gestão da empresa também contribuem para a alta das ações.

Gerdau (GGBR4 e GOAU4)
Setor:
siderurgia
Valorização em 2007: GGBR4 – 58,47% / GOAU4 – 64,28%
O forte crescimento do setor imobiliário no Brasil favoreceu os negócios da companhia, que fornece aço para a construção civil. Os negócios nos Estados Unidos também apresentam bons resultados, já que no exterior a empresa vende pouco para o setor imobiliário.

Ipiranga (PTIP4)
Setor:
distribuição de combustíveis
Valorização em 2007: 63,68%
As ações da companhia dispararam com a notícia de compra pelo consórcio formado por Petrobras, Braskem e Grupo Ultra. Para os próximos meses, no entanto, os analistas não vêem motivos para novas altas.

Acesita (ACES3)
Setor:
siderurgia
Valorização em 2007: 63,64%
Produtora de aço-inox, a empresa tem se beneficiado do aumento da demanda principalmente no setor imobiliário. Há, ainda, a expectativa de uma possível venda pelo grupo Arcelor, que controla a companhia.

Petrobras (PETR3 e PETR4)
Setor:
petróleo
Valorização em 2007: PETR3 56,79% / PETR4 – 49,91%
A constante alta no preço do petróleo no mercado internacional e os investimentos em gás e biodiesel fortaleceram as ações da companhia. Apesar de estatal, a empresa é uma das favoritas dos investidores estrangeiros e, segundo especialistas, deve continuar apresentando bom desempenho nos próximos meses.

Transmissão Paulista (TRPL4)
Setor:
energia
Valorização em 2007: 55,32%
Após a privatização, em 2006, a empresa passou por um processo de redução de custos e novos investimentos, que possibilitou um aumento no fluxo de dividendos – atraindo investidores. Para os próximos meses, no entanto, não há perspectivas de novas valorizações.

Banco do Brasil (BBAS3)
Setor:
bancos
Valorização em 2007: 50,22%
O cenário de queda de juros e melhores condições de renda criam condições favoráveis para a ampliação da carteira de crédito dos bancos, ao mesmo tempo que possibilitam a redução da inadimplência. O Banco do Brasil tem se beneficiado principalmente das linhas de crédito agrícola e o crédito para a baixa renda.

Light (LIGT3)
Setor:
energia
Valorização em 2007: 49,48%
O choque de gestão que permitiu à companhia sair de um prejuízo de 150 milhões de reais em 2006 para lucro de 848 milhões neste ano provocou uma retomada da confiança dos investidores, que passaram a ver com bons olhos os papéis da companhia.